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O chamado de
Deus ordinariamente é interior. É Deus quem interiormente
inspira nas almas o desejo de abraçar um estado tão alto e
excelso como a vida consagrada. Podemos reconhecer nisto
dois passos.
1º
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Deus nos faz conhecer o bem presente no estado religioso
Há quem diz
que para que haja autêntica vocação é necessário ser
chamados diretamente pela voz do Senhor de modo
extraordinário como quando chamou a Pedro ou André, neste
caso não se deve demorar e ingressar imediatamente. Mas
quando o homem é chamado só interiormente, então é
necessária uma longa deliberação e o conselho de muitos para
conhecer se o chamado procede realmente de uma inspiração
divina (até aqui dita opinião).
A estas
pessoas dizemos com Santo Tomás: "Réplica cheia de
enganos". O desejo interior e desinteressado de abraçar
o estado religioso é autêntico chamado divino, por ser um
desejo que supera a natureza, e deve ser seguido
imediatamente; hoje como ontem são válidas as palavras de
Jesus na Escritura: "se queres ser perfeito vai, vende
tudo o que tens e dá aos pobres" (MT 19,21). Este
conselho era dirigido por Cristo a todos os homens de
qualquer tempo e lugar: "quem tiver deixado casa ou
irmãos... Por causa de meu nome, receberá cem vezes mais e
possuirá a vida eterna". E assim todos, ainda hoje,
devem receber este conselho como se o ouvissem dos mesmos
lábios do Senhor. E quem por este se determinar, pode pensar
licitamente que recebeu a autêntica vocação religiosa. "Tendo
ouvido -diz a este propósito São Jerônimo- a sentença
do Salvador: se queres ser perfeito, vende tudo o que tem e
dá aos pobres e logo vem e me siga: traduz em obras estas
palavras e seguindo nu a Cruz nu subirá com mais prontidão a
escala de Jacó".
Este
conselho que Cristo deu, é um conselho divino para todos. O
que vos digo a todos digo (cfr. Mc 13,37) disse à multidão,
porque todas as coisas foram escritas, para nosso
ensinamento (cfr. Rom 15,4). É um engano pensar que estas
coisas só tiveram valor na sua época. "Se todas estas coisas
se pregaram só para os contemporâneos, nunca tivessem sido
escritas. Por isso foram pregadas para eles e escritas para
nós".
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