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QUE MISSÃO TEM O ANJO DA GUARDA SOBRE CADA HOMEM?

 

Quando alguém morre e sua alma está no purgatório ali também o acompanha seu anjo da guarda ou este só está presente enquanto ele estiver vivo? Que opinião tem a doutrina católica a respeito?

 

 

Estimado:

 A existência dos anjos “é uma verdade de fé; o testemunho da Escritura é tão claro como a unanimidade da Tradição”[1].

Como sabemos o termo anjo designa, como diz Santo Agostinho, “não a natureza destes seres, mas sim o seu ofício. Se perguntas por sua natureza, te direi que é um espírito; se perguntas pelo que faz, te direi que é um anjo”[2]. “Anjo”, provém do latim angelus, e este do grego a,ggeloj, que significa “mensageiro”.

Nos textos inspirados se insinua repetidas vezes ou se supõe que esta “missão” dos anjos protetores está vinculada a pessoas particulares, com caráter permanente e pessoal; o qual equivale insinuar a “custódia angélica” sobre os homens. Alguns teólogos defenderam inclusive que é de fé a existência dos “anjos custódios” (por exemplo, Catarino); mas a opinião mais comum na teologia é que é de fé a existência dos anjos em geral, e a dos anjos guardiães só é ensinamento “católico”, embora claramente insinuada na Revelação.

Assim podem entender-se alguns textos do Antigo Testamento, como os do Gênesis 48,16; Êxodo 23,20 (Eis que vou enviar um anjo diante de ti para que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que tenho preparado


para ti. Respeita a sua presença e observa a sua voz e não lhe sejas rebelde...); Baruc 2,2; Salmo 98,11, etc.

Também se encontra no Novo Testamento, sobre tudo na afirmação de Nosso Senhor referindo-se às crianças: Não desprezeis nenhum desses pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus vêem continuamente a face de meu Pai que está nos céus (Mt 18,10). Inclusive há textos que parecem indicar “anjos custódios” das coletividades ou pessoas morais, como reinos, exércitos, comunidades, igrejas e nações; assim, por exemplo, os capítulos 1 e 2 do Apocalipse falam dos sete anjos que custodiam as sete Igrejas, como se cada um estivesse destinado a guardar uma delas.

 Como principais efeitos da guarda de nossos anjos custódios se enumeram os seguintes:

1º Os anjos custódios livram constantemente seus protegidos de inumeráveis males e perigos, tanto da alma como do corpo: Que o Anjo que me salvou de todo mal – disse Israel a seu filho José – abençoe estas crianças (Gn 48,16).

2º Sujeitam os demônios para que não nos façam todo o mal que eles desejariam fazer-nos: recorda-se aqui a história de Tobias. Excitam continuamente em nossas almas pensamentos santos e conselhos saudáveis (por exemplo, Gn 16 e 18; At 5.8.10).

3º Levam diante de Deus as nossas orações, não porque Deus, onisciente, necessite disto para conhecê-las, mas sim para que as ouça benignamente, e imploram por si mesmos os auxílios divinos de que nos vêem necessitados, quando ao menos nós nem sequer percebemos que os necessitamos (cf. Tb 3 e 12; At 10).

4º Iluminam nossos entendimentos, nos proporcionando as verdades de modo mais fácil de compreender mediante o influxo que podem exercer diretamente em nossos sentidos interiores e exteriores.

5º Nos assistem particularmente na hora da morte, quando mais os necessitamos.

6º É opinião piedosa de muitos teólogos que os respectivos anjos custódios acompanham as almas de seus protegidos ou custodiados ao purgatório ou ao céu depois que estes morrem, como acompanhavam as dos antigos patriarcas ao seio de Abraão; efetivamente, na recomendação da alma depois da morte dos fiéis a Igreja cantava: “Saiam a seu encontro, anjos do Senhor, recebendo sua alma, colocando-a na presença do Altíssimo...; Que os anjos te levem a seio do Abraão”.

7º Acredite-se também piedosamente que os anjos custódios atendem as orações de súplicas dirigidas pelos fiéis às almas de seus custodiados quando estas se encontram ainda no purgatório “em estado não de socorrer, mas sim de ser socorridas”[3]; de fato, as súplicas feitas às almas do purgatório se diz que são das mais eficazes.

8º Por último, acompanharão eternamente no céu a seus custodiados que consigam a salvação, “não para protegê-los, mas sim para reinar com eles”[4] e “para exercer sobre eles alguns ministérios de iluminação”[5].

 

 

1] Catecismo da Igreja Católica, n. 328.

[2] Santo Agostinho, Enarratio in Psalmos, 103, 1, 15; cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 329.

[3] Santo Tomás, Suma Teológica, II-II, q. 83, a. 11 ad. 3.

[4] Santo Tomás, Suma Teológica, I, q. 113, a. 4.

[5] Santo Tomás, Suma Teológica, II-II, q. 108, a. 7 ad. 3.

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