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Estimado Padre, o que pode fazer um jovem para deixar o
vício da masturbação?
Sua
consulta pode ser extensiva a todo tipo de vício contra a
castidade. A resposta se enquadra nas normas próprias para
conservar a castidade (ou para recuperá-la depois de havê-la
perdido).
Os
meios se dividem em naturais e sobrenaturais.
1.
Os meios naturais para defender a castidade
1º
Manter-se perfeitamente tranquilo diante das tentações.
“Sentir a tentação não significa consentir a ela”. Terá que
ter uma consciência clara a respeito; em nada ajuda uma
consciência escrupulosa, assim como tampouco o faz uma
consciência surda à voz divina que soa dentro dela. Junto
com isto terá que ter a segurança de que toda tentação pode
ser vencida.
2º
Vigiar e fazer penitência.
A vigilância é absolutamente necessária em
todos os momentos e circunstâncias de nossa vida, porque –
como diz São Paulo – “os desejos da carne se opõem aos do
Espírito, e estes aos da carne” (Gl 5,17). Pio XII
escreve: “Se algum fosse indulgente, ainda em coisas
mínimas, com as seduções do corpo, facilmente se sentirá
miserável para aquelas obras da carne que o enumera
Apóstolo (cf. Gal 5,19-21)”.
É
necessário velar sobre os movimentos das paixões e dos
sentidos, “refreá-los com uma vida austera e com as
penitências corporais – diz Pio XII no mesmo lugar – para
submetê-los à reta razão e à lei de Deus: “Os que são de
Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e
concupiscências (Gl 5,24)”. Todos os Santos vigiaram
seus sentidos e paixões. Até quem não pode, por alguma
razão, fazer penitência corporal, ao menos não pode
desculpar-se de estar alerta e de fazer mortificação
interior.
3º
Apartar-se do perigo.
Um
dos conselhos mais sábios que nos têm legado os Santos é que
“é mais fácil superar as seduções das paixões fugindo delas
que combatendo-as de frente”. “Fujo para não ser vencido”,
dizia São Jerônimo.
No que consiste esta fuga? Em evitar diligentemente a
ocasião de pecar e, principalmente, em elevar a alma às
coisas divinas durante as tentações, fixando a vista em
Cristo virgem.
É
verdade que não podemos “sair do mundo” fisicamente. Mas não
devemos estar nele com o coração e os sentidos. Ninguém pode
manter a pureza se não começar por evitar os olhares,
conversações, pensamentos, não só impuros, mas também,
inclusive, turvos. Por quê? Porque está escrito: quem ama
o perigo nele perecerá (Eclo 3,27). E Santo Agostinho:
“Não me diga que tem a alma pura, se tiver os olhos impuros;
porque o olho impuro é mensageiro de um coração impuro”.
4º Cultivar o pudor.
O
meio mais efetivo para defender a castidade é educar e
fomentar o “pudor”. Pio XII chamou este sentimento “a
prudência da castidade”.
“A pureza exige o pudor”, diz o Catecismo.
O pudor é parte integrante da moderação; não é uma virtude
propriamente dita, senão um sentimento louvável que
constitui os alicerces da virtude. Consiste em uma natural
reserva e instinto de rejeição não já diante do pecado, mas
a qualquer alusão indiscreta à sexualidade. Evidentemente
esta disposição não é devida a uma concepção falsa da
sexualidade (se este afastamento instintivo se devesse ao
entendimento da sexualidade como pecaminosa em si,
estaríamos diante de uma consciência errônea e doentia), mas
ao respeito delicado à sexualidade (própria e alheia). “O
pudor, diz Pio XII, não gosta de palavras torpes ou menos
honestas, e aborrece até a mais leve imodéstia; evita a
familiaridade suspeitosa com pessoas de outro sexo;
infundindo no ânimo a devida reverência ao corpo que é
membro de Cristo (cf. 1 Cor 6,15) e templo do
Espírito Santo (cf. 1 Cor 6,19)”.
O
pudor se alimenta do temor filial de Deus, quer dizer, do
amor que teme ofender a quem ama. Apóia-se, também, na
humildade. Quem quer ser puro, tem que ser também humilde;
pois diz Santo Agostinho: “... a virgindade... tem que
vigiar-se para que não se corrompa com a soberba... quanto
mais [valioso] parece-me este dom, mais temo não deva
desaparecer pela soberba”.
A muitos castos, a soberba tem feito cair na impureza.
5º
Equilíbrio geral.
Do
ponto de vista puramente natural, é importante, também,
manter uma boa higiene física, uma alimentação equilibrada,
exercício físico e descanso.
2.
Os meios sobrenaturais
Evidentemente não bastam os meios naturais; terá que se
recorrer também aos meios sobrenaturais, pois a castidade é
um dom de Deus. De maneira particular, terá que se apelar a:
1º
A oração.
Falando do dom da castidade, diz São Jerônimo que “foi
concedido aos que o pediram, aos que o quiseram, aos que
trabalharam por recebê-lo. Porque todo aquele que pede,
recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á (Mt 7,8)”.
E Santo Afonso ensina que não há meio tão necessário para
vencer as tentações contra a castidade, como a oração a Deus.
2º
Os sacramentos da Confissão e a Eucaristia.
À
oração se deverá acrescentar a confissão freqüente, que é
medicina espiritual que purifica e cura. E também a
Eucaristia que foi chamada, neste sentido, “remédio contra a
sensualidade”.
A Eucaristia, recebida com as devidas disposições, faz puros
os corações, porque se recebe ao Autor de toda Pureza.
3º
A devoção à Virgem Santíssima.
Por
último, um meio excelente para conservar a castidade (ou
recuperá-la quando se perdeu) é a sólida devoção à Virgem
Mãe de Deus. “Em certa maneira, dizia Pio XII, esta devoção
contém em si todos outros meios; pois quem sincera e
profundamente a vive, tem-se que sentir impulsionado a
velar, a orar, a aproximar-se do tribunal da Penitência e ao
Banquete Eucarístico”.
Maria Santíssima é Virgem das virgens e “mestra de
virgindade”, como diz Santo Ambrósio.
Santo Agostinho escreveu que “pela Mãe de Deus começou a
dignidade virginal”.
E São Jerônimo assegurou: “Para mim a virgindade é uma
consagração em Maria e em Cristo”.
Por isso sigamos o conselho de São Bernardo: “Procuremos a
graça, e procuremo-la por Maria”.
3. Concluindo
Estes
são os meios gerais. Quando se trata de um vício fortemente
enraizado, estes mesmos meios são os que levam a
desarraigá-lo, mas atuando energicamente e depois da
repetição de muitos atos. Só a prática virtuosa pode
desarraigar um vício.
Se
a impulsão para o vício já roça o comportamento anômalo,
pode suceder que tenha raízes físicas ou psíquicas, e em tal
caso, junto com os meios acima indicados, será necessário a
ajuda de um médico de visão clara e serena, que realize um
exame clínico geral e, de acordo com os resultados, indique
alguns meios de ordem médica.
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