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COMO DEIXAR O VÍCIO DA MASTURBAÇÃO?

  

Estimado Padre, o que pode fazer um jovem para deixar o vício da masturbação?

 

 

Sua consulta pode ser extensiva a todo tipo de vício contra a castidade. A resposta se enquadra nas normas próprias para conservar a castidade (ou para recuperá-la depois de havê-la perdido).

Os meios se dividem em naturais e sobrenaturais[1].

 1. Os meios naturais para defender a castidade

 1º Manter-se perfeitamente tranquilo diante das tentações.

“Sentir a tentação não significa consentir a ela”. Terá que ter uma consciência clara a respeito; em nada ajuda uma consciência escrupulosa, assim como tampouco o faz uma consciência surda à voz divina que soa dentro dela. Junto com isto terá que ter a segurança de que toda tentação pode ser vencida.

 2º Vigiar e fazer penitência.

A vigilância é absolutamente necessária em todos os momentos e circunstâncias de nossa vida, porque – como diz São Paulo – “os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne” (Gl 5,17). Pio XII escreve: “Se algum fosse indulgente, ainda em coisas mínimas, com as seduções do corpo, facilmente se sentirá miserável para aquelas obras da carne que o enumera Apóstolo (cf. Gal 5,19-21)”[2].

É necessário velar sobre os movimentos das paixões e dos sentidos, “refreá-los com uma vida austera e com as penitências corporais – diz Pio XII no mesmo lugar – para submetê-los à reta razão e à lei de Deus: “Os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências (Gl 5,24)”. Todos os Santos vigiaram seus sentidos e paixões. Até quem não pode, por alguma razão, fazer penitência corporal, ao menos não pode desculpar-se de estar alerta e de fazer mortificação interior.

 3º Apartar-se do perigo.

Um dos conselhos mais sábios que nos têm legado os Santos é que “é mais fácil superar as seduções das paixões fugindo delas que combatendo-as de frente”. “Fujo para não ser vencido”, dizia São Jerônimo[3]. No que consiste esta fuga? Em evitar diligentemente a ocasião de pecar e, principalmente, em elevar a alma às coisas divinas durante as tentações, fixando a vista em Cristo virgem.

É verdade que não podemos “sair do mundo” fisicamente. Mas não devemos estar nele com o coração e os sentidos. Ninguém pode manter a pureza se não começar por evitar os olhares, conversações, pensamentos, não só impuros, mas também, inclusive, turvos. Por quê? Porque está escrito: quem ama o perigo nele perecerá (Eclo 3,27). E Santo Agostinho: “Não me diga que tem a alma pura, se tiver os olhos impuros; porque o olho impuro é mensageiro de um coração impuro”[4].

 

4º Cultivar o pudor.

O meio mais efetivo para defender a castidade é educar e fomentar o “pudor”. Pio XII chamou este sentimento “a prudência da castidade”[5]. “A pureza exige o pudor”, diz o Catecismo[6]. O pudor é parte integrante da moderação; não é uma virtude propriamente dita, senão um sentimento louvável que constitui os alicerces da virtude. Consiste em uma natural reserva e instinto de rejeição não já diante do pecado, mas a qualquer alusão indiscreta à sexualidade. Evidentemente esta disposição não é devida a uma concepção falsa da sexualidade (se este afastamento instintivo se devesse ao entendimento da sexualidade como pecaminosa em si, estaríamos diante de uma consciência errônea e doentia), mas ao respeito delicado à sexualidade (própria e alheia). “O pudor, diz Pio XII, não gosta de palavras torpes ou menos honestas, e aborrece até a mais leve imodéstia; evita a familiaridade suspeitosa com pessoas de outro sexo; infundindo no ânimo a devida reverência ao corpo que é membro de Cristo (cf. 1 Cor 6,15) e templo do Espírito Santo (cf. 1 Cor 6,19)”[7].

O pudor se alimenta do temor filial de Deus, quer dizer, do amor que teme ofender a quem ama. Apóia-se, também, na humildade. Quem quer ser puro, tem que ser também humilde; pois diz Santo Agostinho: “... a virgindade... tem que vigiar-se para que não se corrompa com a soberba... quanto mais [valioso] parece-me este dom, mais temo não deva desaparecer pela soberba”[8]. A muitos castos, a soberba tem feito cair na impureza.

 5º Equilíbrio geral.

Do ponto de vista puramente natural, é importante, também, manter uma boa higiene física, uma alimentação equilibrada, exercício físico e descanso.

 2. Os meios sobrenaturais

 Evidentemente não bastam os meios naturais; terá que se recorrer também aos meios sobrenaturais, pois a castidade é um dom de Deus. De maneira particular, terá que se apelar a:

 1º A oração.

Falando do dom da castidade, diz São Jerônimo que “foi concedido aos que o pediram, aos que o quiseram, aos que trabalharam por recebê-lo. Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á (Mt 7,8)”[9]. E Santo Afonso ensina que não há meio tão necessário para vencer as tentações contra a castidade, como a oração a Deus[10].

 2º Os sacramentos da Confissão e a Eucaristia.

À oração se deverá acrescentar a confissão freqüente, que é medicina espiritual que purifica e cura. E também a Eucaristia que foi chamada, neste sentido, “remédio contra a sensualidade”[11]. A Eucaristia, recebida com as devidas disposições, faz puros os corações, porque se recebe ao Autor de toda Pureza.

 3º A devoção à Virgem Santíssima.

Por último, um meio excelente para conservar a castidade (ou recuperá-la quando se perdeu) é a sólida devoção à Virgem Mãe de Deus. “Em certa maneira, dizia Pio XII, esta devoção contém em si todos outros meios; pois quem sincera e profundamente a vive, tem-se que sentir impulsionado a velar, a orar, a aproximar-se do tribunal da Penitência e ao Banquete Eucarístico”[12].

Maria Santíssima é Virgem das virgens e “mestra de virgindade”, como diz Santo Ambrósio[13]. Santo Agostinho escreveu que “pela Mãe de Deus começou a dignidade virginal”[14]. E São Jerônimo assegurou: “Para mim a virgindade é uma consagração em Maria e em Cristo”[15]. Por isso sigamos o conselho de São Bernardo: “Procuremos a graça, e procuremo-la por Maria”[16].

 3. Concluindo

 Estes são os meios gerais. Quando se trata de um vício fortemente enraizado, estes mesmos meios são os que levam a desarraigá-lo, mas atuando energicamente e depois da repetição de muitos atos. Só a prática virtuosa pode desarraigar um vício.

Se a impulsão para o vício já roça o comportamento anômalo, pode suceder que tenha raízes físicas ou psíquicas, e em tal caso, junto com os meios acima indicados, será necessário a ajuda de um médico de visão clara e serena, que realize um exame clínico geral e, de acordo com os resultados, indique alguns meios de ordem médica.

 

[1] Alguns dos meios que indicarei são assinalados pelo Papa Pio XII em sua formosa Encíclica Sacra Virginitas, nn. 34-35.

[2] Cf. Sacra Virginitas, n. 35.

[3] São Jerônimo, Contra vigilant., 16; ML 23, 352.

[4] Santo Agostinho, Epist. 211, n. 10; ML 33, 961.

[5] Cf. Sacra Virginitas, n. 40

[6] Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2521.

[7] Cf. Sacra Virginitas, n. 40.

[8] Santo Agostinho, De sancta virginitate, c. 33; ML 40, 415.

[9] São Jerônimo, Comm. In Matth. XIX, 11; PL 26, 135. Citado por Pio XII, Sacra Virginitas, n. 43.

[10] Cf. Santo Afonso, Prática de amor a Jesus Cristo, c. 17.

[11] Cf. Leão XIII, Enc. Mirae caritatis, do dia 28 de maio de 1902 (AAS 36, 641).

[12] Cf. Sacra Virginitas, n. 45.

[13] Santo Ambrósio, De Instituitione virginis, 6, 46; ML 16, 320.

[14] Santo Agostinho, Serm. 51, 16, 26; PL 38, 348.

[15] São Jerônimo, Epist. 22, n. 18; PL 22, 405.

[16] São Bernardo, In nativitate B. Mariae Virginis, Sermo de acquaeductu, n. 8; PL 183, 441-442.


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