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O QUE PODE FAZER UMA ESPOSA ABANDONADA POR UM ESPOSO HOMOSSEXUAL?

  

Conheço um casal em que, um bom dia, ele se declarou homossexual e foi morar com outro homem. Ele segue sendo católico, vai à Missa e comunga todos os domingos (suponho que se confessa) para, em seguida, voltar para seu parceiro. Isto é bem visto e permitido pelos católicos. Ela, também católica, quer voltar a casar-se... mas – horror! – seu dever é esperar por ele! Se se casasse de novo, construísse uma nova família e criasse os filhos, estaria sob o sinal do pecado e não seria admitida à comunhão. Realmente estes cânones morais católicos me parecem um atentado à razão, à moral e os mais Santos princípios da honestidade elementar sem a qual não pode existir nenhum bem moral nem humano, nem cristão.

 

 

Estimado em Cristo:

Respondo a sua “consulta” se é que me pede o parecer. Com todo o respeito ao que você apresenta como doutrina moral católica, mas tal não é a realidade. Em relação ao caso que expõe, vejo-me obrigado a particularizar algumas coisas:

1º A doutrina sobre a homossexualidade pode ser encontrada, exposta sinteticamente, no Catecismo da Igreja Católica[1]. No essencial ensina: “A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva e predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. Sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição sempre declarou que ‘os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados. São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados. Um número não negligenciável de homens e mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição. As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã”.

2º Tendo em conta a dimensão pecaminosa do ato homossexual e que a convivência com outra pessoa de mesmo sexo é ocasião de pecado, o acesso aos sacramentos (Eucaristia e Penitência) é ilícito e sacrílego enquanto não se dê verdadeira conversão, arrependimento e intenção séria de por um fim à situação pecaminosa. Pode-se ver sobre isto o mesmo Catecismo da Igreja Católica[2]. A este tipo de situações em geral (situações de pecado) refere-se Nosso Senhor Jesus Cristo quando diz: “Se tua mão for para ti ocasião de queda, corta-a; melhor te é entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para a geena, para o fogo inextinguível onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga. Se o teu pé for para ti ocasião de queda, corta-o fora: melhor te é entrares coxo na vida eterna do que, tendo dois pés, seres lançado à geena do fogo inextinguível, onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga. Se o teu olho for para ti ocasião de queda, arranca-o; melhor te é entrares com um olho de menos no Reino de Deus do que, tendo dois olhos, seres lançado à geena do fogo, onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga (Mc 9,43-48).

3º Por isso, se um sacerdote absolver em confissão e admitir à comunhão a um fiel que vive no estado que estamos descrevendo (quer dizer, aquele que não tem a intenção de abandonar seu pecado) comete ele mesmo um ato pecaminoso. Vai contra a doutrina da Igreja da qual ele não é dono senão administrador, e certamente não representa a Igreja ao obrar contra seus princípios. Quando você diz “isto é bem visto e permitido pelos católicos” deveria dizer: “pelos maus católicos” ou “pelos católicos que não sabem bem o que significa ser católico”. Nenhum fiel, nem nenhum sacerdote, representa a doutrina da Igreja nem a Igreja como Esposa de Jesus Cristo quando obram contra o Magistério da Igreja.

4º A mulher abandonada por seu marido deve guardar a castidade da mesma forma que o marido que a abandona. O matrimônio, se foi realizado validamente, é indissolúvel e obriga os dois cônjuges a exercer a sexualidade dentro do mesmo matrimônio, ou a abster-se dela. Isto é não só doutrina católica, mas também Revelada, como o senhor pode ler em São Paulo, Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 7, versículos 10 e 11: “Aos casados mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido. E, se ela estiver separada, que fique sem se casar, ou que se reconcilie com seu marido. Igualmente o marido não repudie a sua mulher”.


 

[1] Cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 2357-2359.

[2] Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1451.


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