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Conheço um casal em que, um bom dia, ele se
declarou homossexual e foi morar com outro homem. Ele segue
sendo católico, vai à Missa e comunga todos os domingos
(suponho que se confessa) para, em seguida, voltar para seu
parceiro. Isto é bem visto e permitido pelos católicos. Ela,
também católica, quer voltar a casar-se... mas – horror! –
seu dever é esperar por ele! Se se casasse de novo,
construísse uma nova família e criasse os filhos, estaria
sob o sinal do pecado e não seria admitida à comunhão.
Realmente estes cânones morais católicos me parecem um
atentado à razão, à moral e os mais Santos princípios da
honestidade elementar sem a qual não pode existir nenhum bem
moral nem humano, nem cristão.
Estimado em Cristo:
Respondo a sua “consulta” se é que me pede o
parecer. Com todo o respeito ao que você apresenta como
doutrina moral católica, mas tal não é a realidade. Em
relação ao caso que expõe, vejo-me obrigado a particularizar
algumas coisas:
1º
A doutrina sobre a homossexualidade pode ser encontrada,
exposta sinteticamente, no Catecismo da Igreja Católica.
No essencial ensina: “A homossexualidade designa as relações
entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva
e predominante, por pessoas do mesmo sexo. A
homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao
longo dos séculos e das culturas. Sua gênese psíquica
continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada
Escritura, que os apresenta como depravações graves, a
tradição sempre declarou que ‘os atos de homossexualidade
são intrinsecamente desordenados. São contrários à lei
natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de
uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso
algum podem ser aprovados. Um número não negligenciável de
homens e mulheres apresenta tendências homossexuais
profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente
desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem
ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza.
Evitar-se-á para com eles
todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são
chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se
forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as
dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição.
As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas
virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior,
às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela
oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar,
gradual e resolutamente, da perfeição cristã”.
2º
Tendo em conta a dimensão pecaminosa do ato homossexual e
que a convivência com outra pessoa de mesmo sexo é ocasião
de pecado, o acesso aos sacramentos (Eucaristia e
Penitência) é ilícito e sacrílego enquanto não se dê
verdadeira conversão, arrependimento e intenção séria de por
um fim à situação pecaminosa. Pode-se ver sobre isto o mesmo
Catecismo da Igreja Católica.
A este tipo de situações em geral (situações de pecado)
refere-se Nosso Senhor Jesus Cristo quando diz: “Se tua
mão for para ti ocasião de queda, corta-a; melhor te é
entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para
a geena, para o fogo inextinguível onde o seu verme não
morre e o fogo não se apaga. Se o teu pé for para ti ocasião
de queda, corta-o fora: melhor te é entrares coxo na vida
eterna do que, tendo dois pés, seres lançado à geena do fogo
inextinguível, onde o seu verme não morre e o fogo não se
apaga. Se o teu olho for para ti ocasião de queda,
arranca-o; melhor te é entrares com um olho de menos no
Reino de Deus do que, tendo dois olhos, seres lançado à
geena do fogo, onde o seu verme não morre e o fogo não se
apaga” (Mc 9,43-48).
3º
Por isso, se um sacerdote absolver em confissão e admitir à
comunhão a um fiel que vive no estado que estamos
descrevendo (quer dizer, aquele que não tem a intenção de
abandonar seu pecado) comete ele mesmo um ato pecaminoso.
Vai contra a doutrina da Igreja da qual ele não é dono senão
administrador, e certamente não representa a Igreja ao obrar
contra seus princípios. Quando você diz “isto é bem visto e
permitido pelos católicos” deveria dizer: “pelos maus
católicos” ou “pelos católicos que não sabem bem o que
significa ser católico”. Nenhum fiel, nem nenhum sacerdote,
representa a doutrina da Igreja nem a Igreja como Esposa de
Jesus Cristo quando obram contra o Magistério da Igreja.
4º
A mulher abandonada por seu marido deve guardar a castidade
da mesma forma que o marido que a abandona. O matrimônio, se
foi realizado validamente, é indissolúvel e obriga os dois
cônjuges a exercer a sexualidade dentro do mesmo matrimônio,
ou a abster-se dela. Isto é não só doutrina católica, mas
também Revelada, como o senhor pode ler em São Paulo,
Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 7, versículos 10 e
11: “Aos casados mando, não eu, mas o Senhor, que a
mulher não se separe do marido. E, se ela estiver separada,
que fique sem se casar, ou que se reconcilie com seu marido.
Igualmente o marido não repudie a sua mulher”.
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