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SANTA MISSÃO NO REINO UNIDO

 

“Por aquilo que diz respeito à nossa Companhia, saibam que nós realizamos uma aliança; nós todos os Jesuítas da terra, que com o contínuo aumento e com o grande número somos suficientes para vencer toda maquinação da Inglaterra; uma aliança para levar com alegria aquela cruz que Vós nos impõem e para não se desesperar mais de Vossa conversão, sempre  haverá um de nós para gostar das alegrias de seu Tyburn ou para suportar as torturas de suas torturas ou vir ao menos em suas prisões. Assim foi plantada a fé, assim deve ser restabelecida”.

                  (Carta à Rainha Isabel I, beato Eduardo Campion, SJ, mártir)

 

Por graça de Deus durante a Semana Santa, pudemos realizar a primeira Missão popular do IVE no Reino Unido, mais em concreto em Stirling, Escócia.

A Missão esteve a cargo do Noviciado Internacional Beato Pier Giorgio Frassati, localizado em Segni, Itália. Uniram-se a este grupo 4 seminaristas maiores e quatro

Senhor Típico Escocês

 irmãs, todos provenientes de nossas casas de formação em Segni. O Pe. Luis de la Calle, missionário na Irlanda e o Pe. Emanuel Martelli, Mestre de noviços, foram os pregadores.

Escócia é um lugar muito particular. Suas origens são celtas, convertidos ao catolicismo pelo grande missionário irlandês São Columba. No século XVI, a nação foi foco da pregação de um dos pseudo- reformadores, John Knox, quem destruiu o catolicismo e implantou o protestantismo. Depois disso, a Escócia, a ser uma das nações mais hostis ao catolicismo, costume que até na presente data se pode ainda saborear. Por exemplo: o uso da batina em público é ainda vetado pela lei (isto é assim nos documentos, ninguém a põe em prática atualmente, de fato todo o tempo da missão a usamos e com grandes frutos).

A primeira coisa que impressiona neste lugar é a sede de Deus nas pessoas. Ao momento presente é uma nação onde a religião oficial parece ser o nada, ou melhor o secularismo. Entretanto qualquer sinal exterior que fale de Deus os atrai fortemente. Foi este um dos motivos pelo que a Missão produziu, por graça de Deus, muitos frutos. A missão foi completamente segundo o estilo esboçado em nosso diretório de missões populares: visita de casas, confissões, ato missionário, missão infantil e juvenil etc, embora algumas das atividades não puderam ser realizadas devido às particularidades do lugar (procissões, por exemplo).

Santa Missão

Na visita de casas, era impressionante ver muitos dos protestantes quase paralisados ao ver uma batina na porta. Outros que impressionados recebiam a visita e pediam a bênção. Outros que simplesmente gritavam, insultavam e fechavam a porta.

Os católicos do lugar são poucos, muitos deles não são praticantes, para eles também foi uma grande surpresa receber um religioso em suas casas. Muitos voltaram para a Igreja e à confissão depois de anos.

Vários protestantes assistiram às pregações e alguns deles pediram para ingressarem à Igreja. É impressionante o caso de um jovem de 27 anos, que assistiu aos atos da Missão e que ao final da missão pediu o batismo e também para poder fazer uma experiência vocacional no seminário.

Outro exemplo é o de duas famílias que pediram o batismo para todos seus filhos 10 pessoas no total.

Entretanto o fruto mas visível e um dos mais formosos junto a aquele das inumeráveis conversões e confissões depois de anos, é o de um homem idoso, entre 50 e 60 anos, que se encontrava agonizando no hospital por causa de câncer ramificado. Avisaram-nos que uma vez este homem, sem batismo, interessou-se na fé católica, sem chegar a concretizar nada. Decidimos ir visitá-lo, mas sua família (protestantes) não permitiam que nenhum sacerdote pudesse entrar na habitação do doente. Foi assim que uma das freiras foi ao hospital para acompanhar uma leiga, com a idéia de que ela entrasse para ver o doente, e se pudesse e o doente assentisse, batizasse-o: a providência quis outra coisa, pois nem bem chegaram ao hospital,  nesse mesmo

Com os Jovens nas Escolas

 instante  a família do doente saiu da porta deixando a passagem totalmente livre: a irmã se apressou a entrar e vendo o homem se apresentou e lhe perguntou se desejava receber o batismo, e fizesse assim, posto que o homem não podia falar, que lhe apertasse a mão, em caso afirmativo. A reação do doente foi imediata, apertando a mão da irmã, recebeu o batismo: era Sexta-Feira Santa. No domingo da Ressurreição às 3 da manhã este homem morria na paz de Cristo. Deo gratias!

A Missão realmente marcou muito forte o lugar: o fato de ver tantas batinas pela rua (fomos 14) produziu um forte impacto para muitos. A batina aqui está carregada de significado histórico, sobre tudo para os protestantes, já que durante os anos que seguiram à reforma, os Jesuítas entravam na Ilha da França e Espanha e muitos deles terminaram no martírio, muitos precisamente por este sinal exterior que era sinônimo de catolicismo, para os protestantes chamado “papismo”. Foi este um dos motivos pelo que dois diários locais se aproximaram para publicar um artigos sobre “os missionários vestidos com batinas pretas”, o que foi muito  bom, pois muita gente começou a vir às pregações desde outros pontos da cidade e ainda de cidades mas longínquas viajando mais de uma hora para poder participar das atividades! Também outros dois párocos vizinhos se aproximaram e pediram missão em suas paróquias.

Outro apostolado muito frutuoso foi com os jovens e nas escolas: pudemos visitar duas escolas uma escola secundária e outra primária. A visita à escola secundária foi uma coisa impressionante, uma verdadeira revolução: logo depois de falarmos sobre a missão e o IVE, começaram as perguntas: Porquê se vestem assim? O que faz um sacerdote? Como fazer para ser sacerdote? etc. Logo vieram os cantos, literalmente toda a escola com seus 1000 alunos rodearam por toda parte os missionários para cantar juntos, e não só os alunos, mas também até os professores e o mesmo reitor! Os diretores da escola mandaram a publicar um artigo sobre a memorável visita dos missionários.

Missionários

Finalmente, como o Padre Buela nos recorda no diretório das Missões populares, um dos frutos das missões são as vocações, e assim foi também graças a Deus, aqui: vários jovens estão agora discernindo sua vocação à vida religiosa e ao sacerdócio.

Por isso e por tantas outras coisas damos graças a Deus. Ele é quem nos dá a graça de poder ser partícipes nesta obra do bem, pois poder fazer o bem já é uma graça em si mesmo.

Agradecemos a nossos superiores por nos dar generosamente a autorização para poder realizar esta viagem missionária com todos os sacrifícios que implicam, ao Pe. Luis de La Calle, por sua ajuda, ao seminário, às irmãs, ao pároco local Pe. Joseph Miller, missionário de São Patrício e em especial ao Pe. Buela, quem com seu exemplo sacerdotal e com seus escritos nos ensinou o valor e a atualidade das missões populares, algo que nunca sai de moda, e com a qual se conquistam as almas para Cristo. Disto tivemos uma experiência direta durante esta Santa Missão em uma das nações mais liberais do mundo.

Viva Cristo Rei! 

 

Pe. Emanuel F. Martelli, IVE.