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IVE em Grécia

Hellas I: A Igreja Católica em Grécia

Missionários em Grécia

 

Em duas crônicas gostaríamos de fazer-lhes conhecer algumas das nossas atividades em Grécia. Para começar, dedicaremos esta crônica para falar um pouco da situação da Igreja Católica neste país,  tendo como base a síntese que fez o Arcebispo de Atenas, Mons. Nikolaos Fóskolos, em uma entrevista publicada recentemente pela agência católica Zenit.

 

Alguns dados estatísticos

Para entender melhor a situação da Igreja católica na Grécia, deve-se ter em conta alguns dados estatísticos. Grecia tem uma extensão de ao redor de 132.000 quilômetros quadrados e sua população de aproximadamente 11 milhões de habitantes, dos quais quase 97% professa a fé cristã ortodoxa. 

Mosteiro Meteoras, Kalambaka

Podemos dizer que a Igreja católica na Grécia constitui uma minoria religiosa que esperançada, segue dando testemunho de sua fé. A falta de um ecumenismo a nível oficial no país e as relações estreitas entre a Igreja ortodoxa e o Estado criam muitas vezes situações difíceis para os fiéis católicos.  A Igreja católica na Grécia conta com uma presença minoritária que, além de uma histórica comunidade de residentes, especialmente nas ilhas, recolhe uma comunidade internacional cada vez maior.

Por isso, o artigo 3 da Constituição reconhece como religião “dominante” a da Igreja Oriental Ortodoxa, Igreja oficial do Estado. Conseqüência disto é que para a maioria dos ortodoxos gregos, quem não é ortodoxo não é considerado verdadeiramente grego. As outras confissões cristãs e as outras religiões são chamadas oficialmente “religiões estrangeiras”. 

Há uma minoria muçulmana, sobre tudo na Tracia (perto da Turquia), uma pequena comunidade judia e diversos grupos de confissões protestantes. Nos últimos anos, além disso, sente-se fortemente a presença de diversas seitas de origem americana. 

 

Os católicos na Grécia

Os católicos gregos são 50.000 fiéis, quer dizer, 0,5% da população, constituindo

portanto uma minoria religiosa, não étnica. Especialmente nas ilhas, os católicos convivem com os ortodoxos com os mesmos nomes, os mesmos sobrenomes e as mesmas tradições e sua contribuição à literatura é considerável. 

Catedral Católica São Dionísio

A maior parte dos católicos gregos se encontra em Atenas, cidade de uns quatro milhões de habitantes. Um número destacado se concentra nas ilhas Cícladas, especialmente no Siros (8.000) e Tinos (3.000), onde há povos inteiros católicos. Depois há comunidades em muitas outras cidades. Quase todos os católicos gregos pertencem ao rito romano, 2.500 ao rito bizantino, e há algumas centenas de fiéis de rito armênio. 

 

Igreja de imigrantes

Nas últimas décadas, aumentou continuamente a presença de católicos procedentes de diversas partes do mundo que se instalaram definitivamente em Grécia. Seu número hoje deve superar o dos católicos gregos. A maioria são mulheres (muitas delas italianas) que se casaram com um grego ao qual conheceram quando estudavam ou trabalhavam no estrangeiro. Também o turismo favoreceu muitos matrimônios mixtos.  Além  destes fiéis, que com o passar do tempo se incorporam à Igreja católica local, há outro grupo de católicos de “permanência provisória” que são imigrantes em busca de trabalho ou de asilo político.

Athenas

Neste caso temos: Os poloneses, considera-se que são 40.000. Os filipinos, ao redor de 45.000, dos quais 15.000 estão na zona de Atenas. Os iraquianos, ao redor de 4.000, sobre tudo na zona de Atenas. Os albaneses estão disseminados por todo o país e é difícil determinar seu número. Os ucranianos, os romenos e outros católicos de países da ex-União Soviética. Outros católicos do Oriente e Oriente Médio, assim como de vários países africanos. 

Desta maneira, o número total de católicos presentes na Grécia supera ampliamente as 250.000 almas. As cifras exatas são impossíveis de serem apuradas porque muitos destes fiéis são “ilegais”.

 

A hierarquia católica e a vida religiosa

Há 6 bispos católicos (4 de rito romano, 1 de rito bizantino e 1 de rito armênio, que é ao mesmo tempo Ordinário dos armênios no Irã, Armênia, Georgia, etc.). Há 51 sacerdotes do clero secular e 35 sacerdotes religiosos.  Há diversas comunidades religiosas (jesuítas, capuchinos, assuncionistas, lazaristas, franciscanos, dominicanos, Irmãos maristas, Irmãos das Escolas Cristãs, carmelitas, dominicanas, ursolinas, Irmãs de São José da Aparição, Irmãs da Caridade, missionárias da Caridade de Madre Teresa, Irmãs da Santa Cruz e Irmãs do Pammakaristos (estas duas últimas comunidades são de direito diocesano). Nosso Instituto está na Grécia do 2008.

 

Os desafios pastorais

Monseñor Nicolaos  visitando a nossa comunidade

Do ponto de vista pastoral, o problema principal é a dispersão dela se derivam todos outros problemas que a Igreja católica enfrenta no dia a dia: matrimônios mixtos, reunião dos meninos para a catequese, iniciativas para adolescentes e jovens, a formação da mesma comunidade eclesiástica. Esta disseminação, também nas cidades, faz com que o trabalhos dos sacerdotes, religiosos seja muito difícil, especialmente se se considera que nas duas últimas décadas o problema das novas vocações é muito preocupante, sobre tudo para a vida religiosa. 

O número de sacerdotes e religiosos que prestam seu serviço pastoral parece elevado em relação à população de língua grega, mas sua idade é muito avançada e, a diáspora dificulta a pastoral. Existe a necessidade urgente de ter sacerdotes dos países de procedência dos católicos estrangeiros.

Por outra parte, os elementos que unem à Igreja católica e a Igreja ortodoxa são muitos mais do que os que as separam. Apesar disso, muitas são as dificuldades.  

Depois da visita-peregrinação do Papa João Paulo II ao Aerópago, no dia 4 de maio de 2001, e o intercâmbio de visitas oficiais da Delegação da Igreja da Grécia a Roma (em março de 2002), da Delegação Romana a Atenas, encabeçada pelo cardeal Kasper (em fevereiro de 2003), e sobre tudo a visita do arcebispo Christodulos a Roma (em dezembro de 2006), começaram a vislumbrar-se eventuais relações com a Igreja católica local. Mas o tempo passa e a situação não muda. De fato, nos últimos anos se nota um fundamentalismo ortodoxo crescente por parte de alguns bispos, sacerdotes e monges, seguidos por leigos “praticantes”. 

Bandeira da Grécia na frente  da nossa casa

Vivemos com esperança. Nossa Igreja na Grécia, com a presença de tantos irmãos na fé, procedentes de diversas partes do mundo, continua seu caminho dando testemunho da fé católica, e convencida de que foi posta pela Providência como uma ponte entre o Oriente e Ocidente.

 

 

 

Conclusão

Na sua visita a este país João Paulo II se dirigia aos fiéis católicos da Grécia com

estas palavras: “O zelo pela unidade da Igreja deve arder também em todos os discípulos de Cristo. Por desgraça, "a triste herança do passado nos afeta ainda ao cruzar o limiar do novo milênio. (...) Fica ainda muito caminho para ser percorrido" (Novo millennio ineunte, 48). Entretanto, isso não deve nos desalentar. Nosso amor ao Senhor nos impulsiona a nos comprometer cada vez mais em favor da unidade. Para dar novos passos nesse sentido é importante "recomeçar desde Cristo"

Pedimos à Virgem Santíssima a graça de saber fundar-nos sempre em Cristo para que o mesmo Dono da colheita abençoes os esforços de seus trabalhadores nestas terras helenas.

 Em Cristo e Maria Santíssima...

Comunidade São Pablo Apóstolo 2009