Hoje, Domingo do Bom Pastor, celebra-se a Jornada
mundial de oração pelas vocações. Quero me referir a
um aspecto muito importante do tema: a boa formação
sacerdotal. Se a formação não for boa, as vocações
não chegam. Disse a respeito João Paulo II: «...a
condução de uma verdadeira vocação é também uma
formação justa. Se não a encontrarmos, as vocações
não chegam e a Providência não nos dá isso»[1] .
De modo tal que um elemento essencial para que uma
autêntica pastoral dê frutos, é assegurar uma
formação justa, boa.
I
Quem são os principais formadores dos sacerdotes?
São o Pai, e o Filho, e o Espírito Santo.
Qual é a cátedra desde a que ensina a Santíssima
Trindade? Sua cátedra diária é a Santa Missa.
Quero expressar a idéia com uma frase determinante e
que golpeie: O Seminário é a Missa e nada
mais.
Sim, ali no rescaldo da Missa, Deus vai preparando
seus futuros sacerdotes. Ali no volto da Missa, Deus
modela a seu Alter Christus. É a forja de
corações valentes. É a forja onde se fundem os
corações do Sumo Sacerdote e os de seus ministros. A
bigorna onde os lavra. A palestra onde nos ensina a
lutar. O regaço onde nos acolhe. A casa que nos
protege. Jardim onde nos deleita. Pátio no que nos
alegra. Escola onde nos ensina. Libero no que
aprendemos. Locutório onde dialogamos. Fogueira que
nos incendeia. E néctar, pólen, perfume, flor,
festa, banquete, comunhão, diálogo, avançada,
agoné... e
Fogo ...e Vento!
Sem dúvida. Os principais formadores dos futuros
sacerdotes (e dos que já são sacerdotes) são: o Pai,
e o Filho, e o Espírito Santo. Quando os
responsáveis se esquecem disto só obtêm um Seminário
horizontal que forma sacerdotes ocupados unicamente
nos problemas de dentro dos horizontes deste mundo,
um Seminário inerente que forma ministros não
transcendentes, um Seminário desacralizado onde seus
alunos não vivem o “tremens” e “fascinans”
do sagrado.
Daí que, como disse João Paulo II, «a
celebração diária da Eucaristia e a adoração assídua
do Sacramento do altar ocupam um lugar central na
formação sacerdotal»[2] .
De fato, nenhum de nós entrou na vida consagrada
para seguir a homens, embora possam ser Santos.
Entramos porque entendemos que o Senhor nos chamava,
para glória de Deus Pai, no Espírito Santo. Algum
poderá perguntar, mas acaso não devemos ser fiéis ao
carisma do fundador? Certamente que sim, mas porque
o carisma é dom do Espírito Santo, ser fiéis ao
carisma do fundador não é ser fiéis a um homem a não
ser ao Espírito Santo. Entramos em um Instituto
religioso «porque nos damos conta de que nossa
vocação coincide essencialmente com a dos membros do
mesmo e com os fins que esta instituição se
propõe... advertimos uma coincidência entre os dons
próprios que nos orientam para uma missão na Igreja
e os que recebeu quem deu vida a esse Instituto»[3].
A Santíssima Trindade é a que nos faz crescer na
Missa na fé, na esperança e na caridade. É o
mistério da fé, objeto de nossa futura ressurreição
e vínculo de caridade, com Deus e com todos os
irmãos. Podemos apropriar ao Pai o nos fazer crescer
em confiança, o nos abandonar a sua Providência que
nos dá o pão de cada dia, a fidelidade a seus
intuitos, o assombro ante a criação contínua de quem
diz sempre: «Façamo-lo de novo» como se vê na Missa.
Ao Filho podemos atribuir a nos ensinar na Missa a
nos sacrificar pelos outros, a servi-los como fez
Ele no Cenáculo, a nos entregar até morrer como o
grão de trigo, a nos aniquilar como Ele que o faz
sob a aparência de pão e de vinho, a ser fazedores
de comunhão, a ser firmes como Ele que é o Amém de
Deus. O Espírito Santo nos ensina a amar a beleza, a
não deprimir em alcançar a santidade apesar de toda
a realidade de nossos pecados, em contrário, a gozar
das coisas de Deus, a penetrar saborosamente, a nos
deixar levar por seus santos dons.
E milhares de coisas mais.
Por isso estimo que o Seminário é, fundamentalmente,
a Santa Missa.
II
Alguém poderia dizer, mas então todos os Seminários
seriam iguais contra o que nos diz a experiência?
Não se segue, como não se segue que todos tirem o
mesmo fruto da Missa, por ser a Missa perpetuação do
sacrifício de valor infinito. Não só está na Missa o
que se obra “ex opere operato”, mas também o
que se obra ex opere “operantis” segundo a
«fé e entrega»[4].
Mas, ainda há uma distinção mais a ter em conta. Se
o Seminário for só a Santa Missa, para que os
superiores, formadores e professores? Certamente que
eles têm grande responsabilidade na formação dos
futuros sacerdotes, de maneira específica e
insubstituível em discernir a idoneidade ou não dos
candidatos. Mas nunca deixaremos de ser meros
instrumentos, e instrumentos deficientes. Assim como
ninguém é digno de ser sacerdote porque é uma graça
que transcende a todo homem, assim ninguém é digno
de ser superior, formador ou professor dos futuros “alter
Christus” já que todo homem está muito longe de
poder chegar à altura dessa missão de altíssima
responsabilidade. Sempre seremos instrumentos
deficientes. Nossa grande habilidade consiste em
secundar da maneira mais perfeita possível as
inspirações do Espírito Santo com o fim de obter que
os seminaristas participem de maneira ativa,
consciente e frutuosa do Sacrifício do altar. Eles
são os que têm que obter um clima de serenidade
gozosa no seminário, para que seja possível o clima
de oração. Eles têm que esforçar-se para que a
liturgia da Missa seja catedralícia sem formalismos,
bela sem afetações, solene sem evanecimento,
austera, mas plena, fiel às rubricas mas criativa,
com o máximo de participação e desenvolvendo todas
as possibilidades que dá a mesma liturgia ao máximo,
de modo particular nos cantos e na música sagrada.
E os estudos de línguas, os filosóficos e os
teológicos, que razão de ser têm? Todo o outro se
ordena a preparar da maneira mais digna possível a
quem um dia subirá ao altar para oferecer o
Sacrifício e pregar a Palavra. Inclusive o esporte e
a eutrapélia, o apostolado e os acampamentos, e todo
o resto na vida do Seminário deve brotar da Missa e
deve orientar-se à Missa.
Queridos irmãos:
Como tive oportunidade de dizer, um Seminário não o
formam só os superiores, mas também os seminaristas.
Hoje se necessitam seminaristas que com serenidade e
alegria se preparem para o futuro sacerdócio
deixando-se formar pelo Pai, pelo Filho e pelo
Espírito Santo. De maneira especial, na Missa.
Não economizem nenhum esforço para participar cada
vez melhor da Santa Missa. Lutem contra a preguiça,
a acídia, as distrações, a aridez, a rotina. O mais
parvo que se pode fazer em um Seminário é
desperdiçar a Missa. Estudem todos os anos, pelo
menos, um livro sobre a Missa, como sacrifício e
como sacramento, a liturgia eucarística, sua
história, dos grandes tratados teológicos até os
livros mais simples de reflexão e meditação. Vale a
pena.
Quero lhes recordar que em nosso empenho não figura
só que cheguem a ser sacerdotes, a não ser, com a
graça de Deus, a que muitos de vocês cheguem a ser
superiores, formadores e professores de seminários,
para glória de Deus e bem dos homens.
Entre os formadores ocupa um lugar preferencial a
celestial formadora, a Virgem Maria.
Encomendamos-lhe a tarefa que nossos Padres
desempenham em todos os Seminários do mundo. Em
especial, encomendo-lhe meu sonho de poder oferecer
mais equipes de formadores para Seminários.
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