<%@ Page Language="C#" Debug="true"%> IVE Brasil- Homilias do Pe. Buela
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O Altar

* Homilia do R.P. Carlos Buela, em 6 de junho 1999;

Festa de Corpus Christi

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Em memória de Dom Jesus Luis Redondo, que fez possível nosso altar de ônix branco.

 

Há uma criatura que me sorveu o celebro.

É uma criatura irracional.

Mais ainda, é uma criatura inanimada.

 

    Entretanto, há muitos anos todos os dias a beijo duas vezes. Uma, quando me aproximo dela; outra quando me afasto e despeço. E o faço porque assim o manda a Santa Mãe Igreja. Às vezes, inclusive, a incenso. Essa criatura …é o altar…!

    É o centro do templo. O templo é um pequeno céu na terra, mas o que no templo tem de mais celestial e divino, é o altar.

    É o pólo mais importante da ação litúrgica por excelência, a Eucaristia.

    É o altar, uma coisa excelsa, elevada, não só pelo lugar elevado que ocupa, mas também pelas funções que sobre ele se celebram.

    É leito onde repousa o Corpo entregue e o Sangue derramado.

    É atalaia de onde se observam os horizontes do mundo, já que «quando eu for elevado da terra – disse Cristo –  atrairei todos a mim» (Jo 12, 32).

    É navio por onde se transportam nossas intenções ao coração de Deus.

    É farol que ilumina todas as realidades existentes, sem excluir nenhuma, em especial as humanas, porque «o mistério do homem só se esclarece no mistério do Verbo Encarnado».2

    É carta porque nele a Santíssima Trindade escreve em nossas almas as mais sublimes palavras de vida eterna.

    É oásis no que os cansados do caminho renovam as forças: «Venham para mim todos os que estão fatigados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso» (MT 11, 28).

    É base de lançamento de onde passa a Vítima divina junto com nossos sacrifícios espirituais ao altar do céu.3

    É agora, ponto de encontro e de contato de todos os homens e mulheres que foram que são e que serão.

    É porto de chegada e de partida.

    É mastro e torre de navio de onde deve olhar o caminho a percorrer para não errar o rumo.

    É «fonte da unidade da Igreja e de concórdia entre irmãos».4

    É cabine de comando de onde devem tomá-las corretas decisões para fazer sempre a Vontade de Deus.

    É clarim que convoca aos que se violentam a si mesmos: «O Reino dos céus sofre violência e os violentos o conquistam» (MT 11, 12).

    É bandeira desdobrada porque abertamente nos manifesta tudo o que Deus nos ama e, com toda liberdade, ensina-nos como ser autenticamente livres.

    É exército em ordem de batalha, onde claudicam as hostes inimizades.

    É regaço materno, segura proteção para o desamparado.

    É encruzilhada de todas as línguas, raças, povos, culturas, tempos e geografias, e de todos os homens e mulheres de boa vontade de toda crença, porque «por todos morreu Cristo» (2 Cor 5, 15).

    É tocha porque a cruz «mantém viva a espera… da ressurreição».5

    É trampolim que nos lança à vida eterna.

    É lar, forno, braseiro, onde obra o Espírito, «o fogo do altar» (Ap 8, 5).

    É mesa onde se serve o banquete dos filhos de Deus, por isso lhe põe em cima toalha. Sobre ele, reitera-se o milagre da Última Ceia no Cenáculo de Jerusalém. Realiza-se a transubstanciação.

    É «símbolo de Cristo»6, que foi o sacerdote, a vítima e o altar de seu próprio sacrifício, como diziam São Epifanio7 e São Cirilo da Alexandria.8 É o Altar vivo do Templo celestial.9 «O altar da Santa Igreja é o mesmo Cristo».10 É o propiciatório do mundo. «O mistério do altar chega a sua plenitude em Cristo».11 Maria está junto a Ele.

    É imagem do Corpo místico, já que «Cristo, Cabeça e Mestre, é altar verdadeiro, também seus membros e discípulos são altares espirituais, nos que se oferece a Deus o sacrifício de uma vida Santa».12  São Policarpo admoesta às viúvas porque  «são o altar de Deus».13  «O que é o altar de Deus, a não ser o espírito dos que vivem bem?… Com razão, então, o coração (dos justos) é chamado altar de Deus», insígnia São Gregório Magno.14 

    É altar. Sobre tudo, é altar. Sobre ele se perpetua, através dos séculos e até o fim do mundo, de maneira incruenta, o Único sacrifício da cruz.

 

É uma criatura inanimada.

É uma criatura irracional.

Mas me sorveu o celebro.

 

 NOTAS:

 (1) Cardeal Gomá e Tomás, O valor educativo da Liturgia católica, Ed. Casulleras, Barcelona, 1945, P. 418.

 (2) Concílio Vaticano II, Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo atual, Gaudium et spes, 22.

 (3) Cf. Missal Romano, Prece Eucarística I, 96.

 (4) Pontifical Romano, Ritual da dedicação de um altar, Prece da Dedicação.

 (5) João Paulo II, L’Osservatore Romano, 9 de abril de 1999, P. 8.

 (6) Cf. nota 4.

 (7) Panarium, II,I, Haeresis, 55.

 (8) De adoratione…, IX.

 (9) Cf. Heb 4, 14; 13, 10.

 (10) Antigo Pontifical Romano, Consagração do altar, Or.

 (11) Cf. nota 4.

 (12) Cf. nota 4.

 (13) Ad Phil. 4, 3.

 (14) Hom. em Ez., II, 10, 19.

 


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