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Amar a Cruz de Cristo

* Homilia do R.P. Carlos Buela na Festa da Exaltação da Santa Cruz,

pregada às Servidoras do Senhor e a um grupo de crianças

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 Amar a Cruz de Cristo

 

 

Queridos irmãos e irmãs:

Já que nos visitam tantos meninos e meninas vou ter que trocar o sermão para eles, para que, pelo menos, fique  uma idéia.

Hoje celebramos a Festa da Exaltação da Santa Cruz. por quê? Porque na Cruz, quem morreu? Jesus. E por isso a Cruz tem uma força particular, de maneira especial contra o mal.

 

I

Vou contar uma história. É um fato real. Havia uma grande atriz, em seu momento famosa, Eva Levallier. Alguma das pessoas maiores recordará talvez de ter ouvido, não porque a tenham conhecido. Foi uma grande atriz francesa, que era famosa porque tinha um carro conversível e resulta que morreu dirigindo o carro porque o xale que levava se enganchou com uma roda traseira do automóvel e a enforcou.

Dessa época mais ou menos é o que vou contar. Chamava-se Eva Levallier. Era muito formosa. Mas ela notava quando se olhava ao espelho - e todos os dias, como as artistas, olhava-se ao espelho- que se ia enrugando. A pele começa a ficar velha.

E então não lhe ocorreu melhor coisa que fazer um pacto com o diabo. Vai a uma sessão espírita e através do médium faz pacto para seguir sendo formosa, seguir sendo jovem.

Atenção, isto não é coisa somente dos que estão deixando de ser jovens. Eu tive vários casos assim de …. conseqüências, às vezes, mais que funestas. O que acontece com alguns jovens quando ficam com o jogo da “copa”, ou da “huija”, ou as “tablitas”. Não se deve brincar com isso. Porque é brincar com fogo e às vezes pode ser fogo do inferno.

Bom, ela fez o pacto. Esse pacto normalmente se assina com sangue.

Mas, ela notava que seguia envelhecendo, seguia-se enrugando. Seguiam as rugas, seguia-se ficando velha. Então vai ao espírita, ao médium e quando é o momento como de transe, repreende ao diabo:

Lhe diz: -“É um mentiroso!”. (O diabo sempre mente…sempre é mentiroso) “É um mentiroso! Prometeu-me que ia conservar a beleza e resulta que dia a dia a estou perdendo”.

E o outro lhe diz: “O que acontece é que há forças muito poderosas que lhe defendem. Deixa de fazer o sinal da Cruz quando passa um féretro!”.Um defunto, um morto levado ao cemitério.

Quanto aos meninos e as meninas de hoje, não sei como são educados. Mas, no meu tempo minha avó ensinou que quando passava um defunto – naquele tempo o levava em carroça puxada por cavalos - devia-se fazer o sinal da Cruz e devia-se rezar uma Ave Maria pelo defunto para que Deus tivesse misericórdia dele. Isso era uma coisa comum. Bom, ela (Eva Levallier) tinha esse costume, tinha-o desde menina.

Diz: -“Desde menina que faço o sinal da Cruz quando passa um cadáver e não posso não fazer o sinal da Cruz”

“Bom, você não pode deixar de fazer o sinal da Cruz, eu não te posso conservar formosa”.

E assim foi que de uma maneira maravilhosa, Eva Levalier foi salva desse pacto tremendo que nunca deve-se fazer porque tem conseqüências perigosas.

Pacto que finalmente o diabo quis fazer com nosso Senhor Jesus Cristo quando lhe diz: “Se te ajoelhares diante de mim, te darei todos os reino da terra”. É um pacto, é um trato. Jesus Cristo lhe disse: “Não!”. Assim se deve fazer. Deve-se dizer: “Não!”. E se um menino, uma garota vêm com essas coisas estranhas: “Não” é a nossa resposta.

A Cruz tem poder sobre as potências do mal. Mesmo que se disfarcem como hoje em dia procuram disfarçar-se. A Cruz é mais poderosa.

E por que é mais poderosa a Cruz? Por isso. Porque na Cruz morreu o Filho de Deus.

 

II

A Cruz também é poderosa para converter.

Havia um missionário. Grande pregador. Que tinha que pregar a missão em uma paróquia, num povoado. Mas não era como esta Igreja que daquele lado tem um espaço livre e deste lado tem outro espaço livre. Mas estava grudada à outra casa que era um galpão. Era uma ferraria. E o ferreiro era inimigo da religião. Era inimigo de Jesus Cristo. Era inimigo dos sacerdotes.

Então enquanto o padre missionário pregava, do outro lado o ferreiro, que trabalha o ferro, agarrou a marreta e começou a bater sobre a bigorna. A bigorna é essa barra de ferro onde se bate no ferro que se quer dobrar, da forma que quiser dobrar. E se põe o ferro que se quer dobrar ao fogo e se bate nele para que tome a forma que o ferreiro quiser. Assim se fazem as grades, deste modo se fazem algumas janelas, assim também se fazem essas poltronas de jardim.

E então: “Pum, pum, pum, pum!”. Quando pregava o missionário. Não se escutava nada, o missionário ficava rouco. Naquela época não existiam microfones, ficava rouco, ninguém entendia nada porque só se escutava: “Pum, pum, pum, pum!”.

O padre missionário que era um homem muito santo, dizia: “que problema é isto. Como o arrumo?”. Se encomenda à Virgem Santíssima. Reza. Vai logo à sacristia. E vê que havia um crucifixo de ferro. Era a Cruz. E sobre a Cruz, Cristo. E em uma das mãos de Cristo faltava o prego.

Então diz ao coroinha que lhe tinha ajudado na Missa: -“olhe, vem. Vai ao vizinho, ao ferreiro e diga que me faça o favor de pôr o prego na mão que falta a Cristo”.

Foi o garotinho ali, levou o Crucifixo de ferro. O ferreiro o viu. Era o único ferreiro do povo. Dizer que não, era muito feio e todo mundo ia saber. Então, quase sem olhar, põe na mão de Cristo, o prego que faltava.

Chegou à tarde, à noitinha, o momento da pregação missionária. O missionário já se estava preparando para escutar outra vez as marteladas contra a bigorna. Nada. Silêncio. Pôde pregar perfeitamente. Ao dia seguinte o ferreiro lhe manda o Cristo crucificado já com o prego. E quando chega o momento da missão o vê entrar por detrás. Como faz a gente singela com chapéu em mão, dando-o voltas, olhando assim com os olhos encurvados, mas levantando-os um pouco. Dava muita volta no chapéu, da vergonha que tinha, porque tinha feito mal ao golpear com força a bigorna para que a gente não escutasse o sermão.

Termina o sermão, aproxima-se do missionário: “Padre, tenho que me confessar”. O simples fato de pôr o prego na Cruz de Cristo, na mão de Cristo, fez-lhe tomar consciência de que Cristo tinha morrido por seus pecados! Por esses tantos pecados que tinha, sobre tudo esses pecados de opor-se à religião de Jesus Cristo que com tanto amor por nós morreu na Cruz.

 

III

Conheço muitos casos assim. 

Um deles nos ensina como a Cruz perdoa nossos pecados. Conheço o caso de um crucifixo – ainda se conserva na Igreja de Santa Eulália, na Ilha da Mallorca, em Las Balear. 

Havia um penitente que ia confessar-se freqüentemente. Sempre dizendo os mesmos pecados, sempre prometendo arrepender-se e nunca deixava de cometer os pecados! Então o sacerdote diz: “Não, a este já não posso dar a absolvição. Não lhe posso dizer: ‘Eu te absolvo do teus pecados’. Não, porque não tem propósito de emenda”. E o disse: “Não posso te perdoar os pecados: vocês não quer mudar. Você continua sendo tolo. Em vez de se dar conta do que Jesus te está falando, perde o tempo. Em vez de se dar conta que Jesus te ama, é um parvo. Por isso eu não te dou a absolvição”.

Dentro do confessionário havia um Cristo Crucificado. E se escuta que esse Cristo fala: “Eu te absolvo de teus pecados”, diz-lhe Cristo. E diz ao sacerdote: “Eu morri por ele. Eu derramei meu Sangue por ele. Você o que fez por ele?”.

O que nos dá a entender que a Misericórdia de Deus, essa Misericórdia que brota da Cruz de Cristo, é maior que tudo o que nós possamos pensar. De modo tal que jamais, nunca, ninguém, pode desesperar para a salvação de alguém por muito mau que seja. Por quê? Porque o Filho único de Deus derramou seu sangue na Cruz por amor de todos e cada um de nós.

 

IV

Por isso aprendamos neste dia e sempre, a ter muito amor a Jesus Crucificado. Isso é o que diz São Paulo: “Não quero saber nada além de Jesus Cristo Crucificado” na Carta aos Corintios (2, 2). E na Carta aos Gálatas: “Livre-me Deus de me glorificar fora da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo está crucificado para mim e eu estou crucificado para o mundo” (6).

De maneira especial neste dia pedimos pelas servidoras que com santo orgulho levam a Cruz de Matará que é seu Santo Padroeiro, o Cristo Crucificado da Cruz de Matará. Para que sempre saibam abraçar, amar e não baixar-se nunca da Cruz. Porque como dizia São Paulo, e o vemos hoje em dia, desgraçadamente: “Porque muitos vivem segundo vos disse tantas vezes, e agora lhes repito isso com lágrimas, como inimigos da cruz de  Cristo” (Fil 3, 18).

 

Pedimos esta graça à Virgem.

 

 


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