|
O que são e por quê fazer estes
Exercícios Espirituais?
Pe. Gustavo
Lombardo, I.V.E
Não pretendemos, neste breve
escrito, expor o proveitoso que é dedicar um tempo de nossa
vida à oração e ao retiro, senão demonstrar quão preeminente
é a localização, que entre outros tipos de retiro, têm os
Exercícios Espirituais segundo o método de Santo Inácio de
Loyola. Tanto é assim que, embora os coloquemos dentro do
gênero dos “retiros”, por seu particular método estritamente
falando conformam, dentro destes, um gênero próprio. Embora
muito possa dizer-se nesta matéria, entretanto valha a nosso
propósito uma olhada a respeito de quatro coisas:
1-
Quem escreveu os Exercícios Espirituais.
2- Que fim buscam os
Exercícios e de que modo o realizam.
3- Que eficácia e influxo tiveram
na história.
4- Que opina a Igreja a respeito
deles.
1-
Autoria dos Exercícios
Espirituais
Já
é sabido que o autor dos Exercícios Espirituais é
Santo Inácio de Loyola, o qual não quer dizer pouca coisa.
Trata-se de um grande Santo do século de ouro espanhol e
fundador de uma das maiores ordens religiosas e que outorgou
à Igreja inumeráveis frutos, como é a Companhia de Jesus.
Basta para demonstrar a influência deste Santo, a frase que
sobre ele disse um protestante, Lorde Macaulay “é o homem
que mais influiu em nossos tempos dentro da Igreja”[1].
Mas assim e tudo, se alguém conhecesse a fundo os Exercícios
Espirituais e os extraordinários frutos que foram produzindo
na história, com o auxílio da fé, deduziria que tal
eficiência supera as capacidades de um homem, até sendo
este Santo Inácio de Loyola. O papel excepcional que dentro
da mesma Igreja foram e seguem desempenhando, junto com a
ignorância literária de Santo Inácio e sua escassa formação
intelectual no momento em que compôs este livro, chamado
“admirável” pela própria Igreja[2],
unido aos testemunhos de contemporâneos de Santo, como dos
padres Jesuítas Polanco e Nadal, fizeram que sempre se
tenham observados na Companhia os Exercícios -para
nos expressar com o Pe. Astráin- “como um dom
singularíssimo e inteiramente sobrenatural feito por Deus a
nosso Santo Padre”[3].
O
Pe. Polanco diz que em Manresa, onde escreveu a maior parte
do livro, Deus “ensinou” a Inácio os exercícios[4].
Santo Inácio mesmo em sua Autobiografia, falando em geral
das grandes consolações e ilustrações sobrenaturais tidas em
Manresa, escreve que “neste tempo lhe tratava Deus da
mesma maneira que trata um mestre de escola a um menino,
lhe ensinando…, e sempre julgou que Deus lhe tratava desta
maneira; antes se duvidasse nisto, pensaria ofender a sua
divina majestade”[5].
E
para resumir os numerosos testemunhos sobre esta matéria,
transcrevo a conclusão de um historiador do século passado,
nada fácil em admitir coisas extraordinárias, o Pe. Dudon:
“Sem dúvida, sem particular assistência de Deus, não teria
escrito este livro. É uma observação da bula de canonização.
É também algo evidente. Esta assistência de Deus se
prolongou depois de Manresa para as adições e retoques
feitos às folhas primitivas… O favor singular que fez Deus
em Manresa ao peregrino foi realçar de repente sua faculdade
natural de compreender, de lhe dar uma inteligência superior
da vida espiritual, que lhe permitiu o discernimento de
espíritos e também o ordenar sinteticamente um certo número
de verdades; verdades geradoras da mais generosa conduta
cristã. Desde aí o acento de segurança e força que
impressiona nos Exercícios”[6]
O
ponto culminante deste “ensinamento” divino, é da exímia
ilustração de Cardoner, que -em frase do Pe. Leturia-
“equivaleu para ele a uma completa regeneração espiritual”[7]
Escrevia a respeito o
mesmo Santo: À sua luz “pareciam todas as coisas novas…,
como se fosse outro homem e tivesse outro intelecto… De
maneira que em todo o discurso de sua vida, até passados
sessenta e dois anos, coligindo todas quantas ajudas tenha
tido de Deus; e todas quantas coisas soube, embora as ajunte
todas em um, não lhe parece ter alcançado tanto como daquela
vez somente”[8].
Por outra parte, recordando que
em Manresa Santo Inácio recebeu graças repetidas vezes com a
vista da Santíssima Virgem e que, enquanto redigia as
Constituições, assistiu-lhe também a Virgem com sua
reiterada presença, não parece temerário supor uma
amorosa e providencial assistência da Mãe de Deus na origem
dos Exercícios.
2
- Fim e método dos Exercícios Espirituais
Afirma o Pe. Casanova, grande comentador deste método
inaciano que “todo o valor dos Exercícios de Santo
Inácio, sua influência na vida da Igreja católica e sua
mesma razão de ser, devem-se por inteiro às relações que
têm com a Santidade”. Santo Inácio quer a
perfeição da alma, sua “saúde” (n.1 dos Exercícios),
que possa desenvolver a semente da graça mediante o reto e
normal desenvolvimento de suas funções espirituais, de modo
que a alma possa “em tudo amar e servir à sua Divina
Majestade” (n.233). “E o maior elogio que pode fazer-se
de uma coisa ou pessoa é poder dizer dela, que influi
eficazmente na santidade, posto que não há perfeição
superior a ela nem nos homens, nem nos Anjos, nem mesmo no
próprio Deus. É a coisa de mais valor de quantas existem no
mundo e é, em certo sentido, o fim aonde encaminha Deus
todas as demais coisas”. E Santo Inácio nos deu nos
Exercícios “um método prático para saber viver a
santidade em seu grau mais perfeito, ensina a santidade
pura e total, tirando-a da doutrina e dos exemplos de Nosso
Senhor Jesus Cristo…”; “chega a compendiar a ascética
evangélica cabal e eficazmente, assentando-a nas leis
eternas do mundo moral e elevando-a até a união vital com
Jesus Cristo e até com a divindade própria”[9].
E
posto que à santidade está chamado todo Cristão[10],
pressupõe-se que, quem dedica um tempo ao retiro e à oração,
decidiu seriamente seguir este desejo que Deus tem para
todos. Pelo qual tem que procurar aquele meio que o leve com
maior eficácia a seu fim, ou seja ao próprio Deus.
Mas falar que os Exercícios procuram levar a
santidade é algo um pouco geral, que cabe para numerosas
atividades deste tipo, precisemos então de que maneira S.
Inácio tenta santificar ao exercitante. Poderia dizer-se que
se pode resumir o método dos Exercícios no que deve
ser o título e a explicação do mesmo livrinho: “Exercícios
espirituais para vencer a si mesmo e ordenar sua vida, sem
determinar-se por afeto algum que seja desordenado” (n.21).
Isto é o que procura S. Inácio em todo o livro dos
Exercícios: que o homem se esforce em ordenar sua
própria vida segundo o projeto de Deus. Para o qual é
indispensável livrar-se de toda “afeição desordenada”, isto
é, de todos aqueles amores que não estão ordenados a Deus
como fim. Já que é muito difícil conhecer e fazer a vontade
de Deus se a gente não estiver disposto a renunciar todo
aquele afeto que tenha algo de mau ou desordenado.
Este conhecer e querer cumprir a vontade de Deus,
levará ao exercitante a plenificar sua vida e a tomar
decisões importantes de acordo ao beneplácito divino. Por
este motivo é que, não poucos, fazendo Exercícios
Espirituais, chegam a conhecer e a seguir a vontade
de Deus em relação a sua vocação. Daqui que, embora o
discernimento da vocação não é o fim principal dos
Exercícios, entretanto são um método, atrevo-me a dizer
quase infalível, de discernindo vocacional para
quem procura a Deus com retidão de coração.
Confirma e aperfeiçoa nossas palavras sobre o fim e o método
dos Exercícios, o referido pelo Santo Padre
há alguns anos atrás: “… já que os Exercícios são um
conjunto de meditações e orações em atmosfera de
recolhimento e de silêncio, e sobretudo um particular
impulso interior -suscitado pelo Espírito Santo- para
abrir amplos espaços na alma à ação da graça.
O
cristão com o forte dinamismo dos Exercícios é ajudado a
entrar no âmbito dos pensamentos de Deus, de seus
intuitos para confiar-se a Ele, Verdade e Amor, assim para
tomar decisões comprometidas no seguimento de Cristo,
medindo claramente seus dons e as responsabilidades
próprias”[11].
Deve-se ter em conta, por parte do exercitante que, além de
seu empenho em fazer os Exercícios, é de grande
importância a fidelidade do pregador às diretivas traçadas
por Santo Inácio no pequeno livrinho. Dizia Paulo VI
a respeito: “Dos variados louváveis métodos para conduzir
retiros de leigos, o método baseado nos Exercícios
Espirituais de Santo Inácio de Loyola é, desde sua aprovação
pelo Papa Paulo III em 1548, o mais amplamente usado.
Entretanto, os diretores de retiros, nunca devem deixar
de aprofundar em sua compreensão das riquezas doutrinais e
espirituais do texto inaciano. (...) Seria um erro
diluir os Exercícios do retiro com inovações que (...)
reduziriam a eficácia de um retiro fechado. Estas
atividades, como dinâmicas de grupo, discussões religiosas e
seminários sobre sociologia religiosa, têm seu lugar na
Igreja, mas esse lugar não esta em um retiro fechado, no
qual a alma, a sós com Deus, generosamente se abre ao
encontro com Ele e é maravilhosamente fortalecida e
iluminada“[12]
2-
Excepcional eficácia e influxo
dos Exercícios Espirituais
“As
páginas inefavelmente simples”[13]
dos Exercícios
Espirituais pertencem à categoria dos poucos livros que,
como a Imitação de Cristo e as Visitas de
Santo Afonso Maria de Ligório, transcenderam a toda
classe de fiéis e seguem influindo continuamente na
espiritualidade de milhões de almas.
Adquiriu este livro uma difusão que apenas se dá em
outra obra ascética. Só ou acompanhado de comentários ou
aplainamentos se publicou mais de 4.800 vezes e se
traduziu a mais de 19 línguas, entre elas ao asteca,
dinamarquês, malgache, tamul, basco. E à metade do século
passado se podia calcular o número de exemplares a um mínimo
de quatro milhões.
Entretanto estas cifras verdadeiramente gigantescas não
tocam no aspecto mais fecundo do livro inaciano: à
prática continuada, já que o que lhe deu renome
universal e a tem feito como carta de cidadania dentro da
Igreja não foi tanto o volume escrito quanto a prática
continuada do método descrito em suas páginas. Para pôr um
exemplo, em 1949, segundo uma estatística da Congregação de
Religiosos, os que praticaram alguma classe de exercícios ou
missões seguindo este método sob a direção de religiosos
foram 7.030.141. E se sabe que os sacerdotes
seculares também tinham dirigido esse ano grande quantidade
de turnos.
Estes dados, necessariamente imperfeitos, dão só uma idéia
da extensão que adquiriu o influxo desse pequeno livrinho.
Mas é necessário fazer notar que sua verdadeira ação se
realiza melhor em sentido de profundidade. É uma
revolução interna que se dá em cada alma. Sua repercussão
mais íntima escapa à história, ao controle dos dados.
São Francisco de Sales, morto em 1622, dizia que o livro
inaciano havia já operado mais conversões que as letras que
contém, o que se deveria dizer no dia de hoje, ao cabo
de mais de quatro séculos, nos que não cessou de produzir
“grandes frutos de santidade”[14].
De
Causette formosamente
havia dito: “Os Exercícios são um dos livros mais
veneráveis saídos de mãos de homens porque se a Imitação
de Cristo enxugou mais lágrimas, os Exercícios
produziram mais conversões e mais Santos”[15].
E
esta acertada frase pode corroborar-se dando uma olhada às
canonizações destes últimos séculos. Começando pelo patrono
das missões, São Francisco Xavier, que se converteu
ouvindo os Exercicios da boca do próprio Santo
Inácio, são inumeráveis os Santos que se valeram deste
método para alcançar as cúpulas da vida espiritual; podemos
citar alguns: Alonso Rodríguez, Francisco de Borja, Isaac
Jogues, Juan del Castillo, Luis Gonzaga, Paulo Miki, Roberto
Belarmino, Torre González; beatos: Alberto Hurtado, Miguel
Agustín Pró, José de Anchieta.
À
luz destes dados e considerações sobre o excepcional influxo
exercido pelos exercícios, não pareceriam exagerados os
testemunhos, verdadeiramente extraordinários, que foram
deixando pessoas das mais variadas condições e tempos.
Talvez o mais importante e significativo de todos, pela
categoria de quem procede e pelo transcendental de seu
conteúdo, seja o estampado por Leão XIII e
repetido e referendado por Pio XI; nos adiantando
ao ponto seguinte, transcrevemos estas palavras dadas pelo
magistério: “nesta palestra tinham adquirido ou amplificado
suas virtudes todos os que floresceram muito em doutrina
ascética ou em santidade de vida nos últimos quatro séculos”[16].
O
próprio Santo Inácio, tão inimigo de vãs ponderações, fez,
com epítetos excepcionalmente significativos, a apologia
mais excelsa de seu método. Transcrevemos só um parágrafo do
que escreveu o seu confessor de Paris, o Dr. Miona: Os
Exercícios são “todo o melhor que eu nesta vida posso
pensar, sentir e entender, assim para o homem poder-se
aproveitar a si mesmo para poder frutificar, ajudar e
aproveitar a outros muitos”[17]
depois de quanto levamos
dito, não parecerá exagerado o que um teólogo e historiador
protestante, Heinrich Bömer, tenha chegado a dizer que este
pequeno e singelo livro pertence aos livros que marcaram
o destino da humanidade[18], e que um escritor húngaro
tão pouco católico como Fülöp-Miller escreva que “nenhuma
outra obra da literatura católica se pode comparar quanto à
influência histórica exercida. A força conquistadora dos
exercícios transcendeu logo a toda a Igreja católica”[19].
Por sua parte, o eminente historiador alemão Janssen
afirma: “Este pequeno livro, considerado pelos mesmos
protestantes como uma obra mestra de psicologia de primeira
ordem, foi para o povo alemão, para a história de sua fé e
de sua civilização, um dos escritos mais importantes dos
tempos modernos… exerceu uma influência tão
extraordinária sobre as almas, que nenhum outro livro se
pode comparar”[20].
Poderíamos seguir acumulando testemunhos a respeito, mas
estimando que com o exposto alcança para o fim que nos
propusemos, adicionamos só um testemunho, a modo de
sentimento pessoal de um exercitante, um trabalhador de 23
anos: “Ao chegar em minha casa e abraçar a minha mãe, lhe
direi: Aquela felicidade de que lhes falava, já a achei.
Sou feliz. Digo-o com voz forte. O que o mundo não me
podia dar, na casa dos exercícios me deram isso em cinco
dias. Sou feliz”
3-
Atitude da Igreja ante os
Exercícios Espirituais
A
própria Igreja quis corroborar solenemente os testemunhos de
seus filhos. Não podia ficar à margem de um movimento tão
universal, de um meio tão afanosamente empregado pelos
melhores de seus filhos nos momentos mais decisivos de sua
vida. No ano 1548 o jovem duque de Gandía (Espanha),
Francisco de Borja, neto de Alexandre VI, apresenta
ao Pontífice Paulo III uma petição singular: a
aprovação pontifícia de um livrinho de Exercícios
Espirituais, escrito por Inácio de Loyola, General e
Fundador da Companhia de Jesus, que o mesmo Papa
tinha aprovado oito anos antes. O Papa, logo depois de fazer
as averiguações pertinentes, respondeu com o solene
documento Pastoralis Officii, que assinou em 31 de
julho de 1548: “Tendo examinado ditos Exercícios e
ouvido também testemunhos e relações favoráveis [...],
comprovamos que ditos Exercícios estão cheios de piedade
e santidade, e são e serão muito úteis para o progresso
espiritual dos fiéis. Além disso, não podemos deixar de
reconhecer que Inácio e a Companhia por ele fundada vão
recolhendo frutos abundantes para o bem em toda a Igreja; e
disso muito mérito terá que atribuir aos Exercícios
Espirituais. Por isso [...] exortamos aos fiéis de
ambos os sexos, em todos as partes do mundo, a que se valham
dos benefícios destes Exercícios e se deixem plasmar por
eles”. A esta primeira aprovação solene de Paulo III,
seguiram outras tantas através dos séculos, sendo hoje em
dia mais de seiscentas as sucessivas aprovações,
exortações ou recomendações dos Exercícios que ao
longo de mais de quatro séculos foi dando a Igreja com sua
solicitude amorosa e maternal. Queremos aqui nos deter no
alcance de uma das mais decisivas, a constituição apostólica
em forma de bula solene Summorum Pontificum,
de 25 de julho de 1922, na qual Pio XI
declara a Santo Inácio patrono de todos os Exercícios
Espirituais, das casas e obras dedicadas a eles. O Sumo
Pontífice com tal ato tinha acessado não só a seus mais
ferventes desejos, mas também às premiadoras petições de 29
cardeais, 122 arcebispos, 497 bispos e 20 prefeitos
apostólicos; em total 668 líderes da Igreja, cifra
excepcional nesta classe de atos. Com este patronato
concedia Pio XI uma clara primazia a Santo Inácio em uma
parcela tão importante da espiritualidade. O cardeal Pla e
Deniel crêem ver um paralelismo inegável entre esta
preferência dada ao autor do livro dos Exercícios e a
outorgada por Leão XIII a Santo Tomás no campo da teologia e
da filosofia. Como Santo Tomás exerce um “doutorado
universal” sobre a ciência eclesiástica, assim Santo
Inácio deve ser, segundo o mesmo Pontífice, o farol luminoso
que guie às almas na senda da perfeição. Os princípios
gerais do Doutor Angélico são as dobradiças sobre as quais
gira a teologia católica. As leis reguladoras do penitente
de Manresa têm que formular também “o código muito sapiente
e universal” das normas da direção das almas[21].
Pode-se, pois, com toda justiça, citando um artigo sobre
este tema, falar de “uma espécie de implícito doutorado”.
“Porque os Exercícios gozam já de prerrogativas
afins a que possuem os doutores da Igreja, enquanto que
as atribuições de uma pessoa se podem aplicar a um livro e a
uma prática”[22].
A
primeira prerrogativa, “santidade exímia reconhecida pela
Igreja”. Quem poderá enumerar as amostras que deram os
Pontífices da santidade encerrada em uns Exercícios
que não cessaram de chamar “piedosos”,
“extremamente saudáveis”, “instrumento muito
proveitoso de santidade”, “lojas de comestíveis de
vida cristã”, “precioso dom divino”?
O
segundo elemento, a ortodoxia nesta doutrina é tal
que, “em virtude de um amontoado tal de fidedignas e
reiteradas aprovações e recomendações, o desaprová-la
mereceria a censura teológica dos que impugnam uma doutrina
tida pelos teólogos como católica”.
Mais ainda, “Acreditam que não é aventuroso afirmar que nos
encontramos diante de um caso em que ao magistério exercido
pela Igreja se inclui também a suprema nota da função
docente da Igreja, a nota da infalibilidade”.
A
terceira nota requerida para o doutorado é que sua
ciência tenha sido eminente, e seu influxo considerável.
Falamos bastante sobre este ponto, pelo qual nos limitamos a
citar uma vigorosa frase de Pio XI em que se sintetiza o
caudal de ciência que contém o método inaciano. “São os
Exercícios de Santo Inácio-diz o imortal Pontífice- o
mais sábio e universal código espiritual para dirigir as
almas pelo caminho da salvação e da perfeição, fonte
inesgotável de piedade ao mesmo tempo exímia e muito sólida”[23].
Não
se podia pedir prova mais explícita e contundente da ciência
espiritual contida no manual inaciano. E como Mãe que é, a
Santa Igreja não se cansa de exortar, ainda nestes tempos, a
seus filhos que aproveitem deste manancial de graças; assim
escrevia em 1965 Paulo VI, aluno de jesuítas:
”Sabemos que a pregação mais eficaz é precisamente a
dos Exercícios Espirituais”… “Devemos difundir esta fonte de
salvação e de energia espiritual, devemos fazê-la acessível
a todas as categorias”.
E
o mesmo João Paulo II nos ensina falando dos Exercícios:
“Espero que (...) sacerdotes, religiosos e leigos continuem
sendo fiéis a esta experiência e lhe dêem incremento: faço
este convite a todos o que procuram sinceramente a verdade.
A escola dos Exercícios Espirituais seja sempre um
remédio eficaz para o mal do homem moderno miserável
pelo redemoinho das vicissitudes humanas a viver fora de si,
excessivamente absorvido pelas coisas exteriores; seja
formadora de homens novos, de cristãos autênticos, de
apóstolos comprometidos. É o desejo que confio à intercessão
da Virgem, a contemplativa por excelência, a mestra sábia
dos Exercícios Espirituais [24].
[1] P. Leonardo Castellani,
Homilia de la fiesta de San Ignacio (31de julho)
[2] Antigo Ofício litúrgico
de 31 de julho, 4ª lição.
[3] A.
Astráin, Historia de la Compañia de Jesús en la
Asistencia de Espanha t.1 (Madrid 1912) 2ª ed. p.160.
[4] Sumário n.23,
Monumenta Histórica S.I., Fontes narr. I P. 163. As
mesmas palavras “haber enseñado Dios” usou o Pe. Ribadeneira
em Madri em 1595 (MHSI, Script. I 159)
[5] Autobiografia
n.27; MHSI Fontes narr. I p.400.
[6] Dudon,
S. Ignace apêndice 11 p.627
[7] P. de Leturia, Estudos
inacianos II 14.
[8] Autobiografia
n.30; MHSI Fontes narr. I p.404.
[9]
Casanova, Comentario e Explanación de los Ejercícios.,
vol.1 P. 29.35
[10] “Todos os fiéis
cristãos, portanto, estão convidados e obrigados a procurar
conseguir a santidade e perfeição de seu próprio estado”
CVII, Constituição dogmática sobre a Igreja “Lumen
Gentium”n.42
[11] João Paulo II,
Angelus de 16/12/1979, em L'Ossevatore Romano,
ed. espanhola, 23/12/1979
[12] Paulo VI, Carta ao
Card. Cushing, 25 de julho de 1969
[13] De
Causette, Mélanges oratoires (Paris 1876) I p.225
[14] Palavras de Pio XI na
encíclica Mens nostra, 20 de dezembro de 1929. C.
Marín, Enchiridion p.461.
[15] De
Causette, Mélages oratoires I p.455
[16] “Mens Nostra” Marín,
Enchiridion p.463.
[17] MHSI,
Epist. S. In. I 112
[18] H.
Boehmer, Die Jesuiten (Leipzig 1907) p.18.
[19] R.
Fülöp-Miller, Match und Géhinis der Jesuiten (Berlim
1929) p.31.
[20] Janssen,
L'Allemagne et la réforme (Paris 1895) t.4 p.402 e
405.
[21] Idéias da carta pastoral
sobre exercícios publicada pelo cardeal Pla e Deniel quando
era bispo de Salamanca.
[22] Tirado de um artigo em
HechD 23 (1948) 462, as seguintes entrevistas -sem
referência- foram tiradas deste artigo.
[23] Encíclica Mens Nostra.
Marin, Enchiridion p.462.
[24] João Paulo II,
Angelus de 16/12/1979, em L'Ossevatore Romano,
ed. espanhola, 23/12/1979
DATAS DOS
EXERCÍCIOS QUE SERÃO PREGADOS EM 2011
|