|
Muitos fundamentalistas e protestantes evangélicos se aderem
a uma crença conhecida como o "Rapto". Existem muitas
variações dessa doutrina. A série de novelas popular
"Deixados Atrás", escrita por Tim Lahaye e Jerry Jenkins,
apresenta só uma delas. Para defender suas idéias, os
partidários do "Rapto" citam algumas passagens gerais das
Escrituras, incluindo 1 Tessalonicenses 4, 15-17:
"Pois isto vos declaramos, segundo a palavra do Senhor: que
os vivos, os que ainda estivermos aqui para a Vinda do
Senhor, não passaremos à frente dos que morreram. Quando o
Senhor, ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta
divina, descer do céu, então os mortos em Cristo
ressuscitarão primeiro; em seguida nós, os vivos que
estivermos lá, seremos arrebatados com eles nas nuvens para
o encontro com o Senhor, nos ares. E assim estaremos sempre
com o Senhor."
E também geralmente usam 1 Coríntios 15, 51-52:
"Eis que vos dou a conhecer um mistério: nem todos
morreremos, mas todos seremos transformados, num instante,
num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final; sim,
a trombeta tocará, e os mortos ressurgirão incorruptíveis, e
nós seremos transformados." Destas escassas passagens
misteriosas resultam predições detalhadas e precisas que
enchem volumes, completados com calendários, datas, tábuas e
gráficas. A versão exposta nos livros da série "Deixados
Atrás", conhece como dispensação pré-milenarista e
pré-tribulacional. Sua proposta consiste em que no futuro a
terra experimentará um reinado de Jesus que durará mil anos.
Imediatamente antes deste reinado, os "verdadeiros crentes"
serão "arrebatados" por Jesus subindo com Ele, de maneira
secreta e silenciosa, entre as nuvens. Não importa para eles
que a Bíblia mencione uma forte voz e uma trombeta, a
maioria dos partidários do "arrebatamento" asseguram que o
evento acontecerá em segredo.
Esta exagerada interpretação assegura que aqueles
desafortunados que serão "deixados" sofrerão um período de
sete anos de tribulações—uma
espécie de última oportunidade para a fé. Ao concluir os
sete anos, Jesus retornará para uma Segunda Vinda
"adicional", esta vez com legiões de fiéis. Juntos,
derrotarão ao Anticristo e começarão os mil anos do reinado
de Jesus sobre a terra. A ironia de tudo isto é que os
protestantes acreditam que é a Igreja Católica a que
sustenta ensinamentos "não bíblicos" e citam a doutrina
Católica a respeito de Maria como seu maior exemplo (veja a
seção "Maria, a Mãe de Deus", neste mesmo livro), enquanto a
crença no "arrebatamento" é aceita sem questionamento e com
muito pouca substância bíblica. Também é irônico o que
muitos Protestantes acreditam: que a Igreja Católica trocou
seus ensinamentos muitos vezes através dos séculos enquanto
que, ao mesmo tempo, o conceito do "arrebatamento" que se
tem no presente não se encontrou nunca na história da
cristandade, já que não aparece nem na literatura católica
nem na protestante até o
século XIX, quando aparecem suas primeiras manifestações nos
escritos do John Nelson Darby, um ministro fundamentalista
convertido em sacerdote anglicano.
Os ensinamentos da Igreja Católica sobre o fim dos tempos
são menos detalhados—e
muito menos dramáticos—que as de John N. Darby e Tim
Lahaye. Certamente a Igreja sustenta a Segunda Vinda de
Jesus. Um exemplo conhecido se encontra na frase do Credo
Niceno: "E de novo virá em glória para julgar a vivos e
mortos" e outro na afirmação de São Paulo; que os crentes
serão "levados" até o Senhor. Entretanto, no concernente à
data e natureza destes eventos, a Igreja diz pouco, pois há
certas coisas que são reservadas Por Deus: "As coisas
escondidas pertencem a Iahweh nosso Deus; as coisas
reveladas, porém, pertencem a nós e aos nossos filhos para
sempre, para que ponhamos em prática todas as palavras desta
Lei." (Deuteronômio 29, 28 BLA). E, tal como nos advertiu
isso o Senhor Jesus Cristo: "Daquele dia e da hora, ninguém
sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas só o Pai."
(Mateus 24, 36).
Para ter uma idéia melhor do ensinamento magisterial da
Igreja sobre o fim dos tempos, veja os parágrafos 671 a 679
no Catecismo da Igreja Católica.
|