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IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA
A Imaculada Conceição
é um termo usado para referir-se ao nascimento de Maria
isento do pecado original. Este termo não se encontra na
Bíblia, assim como o termo "Trindade" não se acha nas
Escrituras. Os fundamentos deste ensino, entretanto, são
totalmente bíblicos.
Êxodo 25, 8-16
— Faze-me um
santuário, para que eu possa habitar no meio deles. Farás
tudo conforme o modelo da Habitação e o modelo de sua
mobília que irei te mostrar. Farás um arca de madeira de
acácia com dois côvados e meio de comprimento, um côvado e
meio de largura e um côvado e meio de altura. Tu a cobrirás
de ouro por dentro e por fora, e farás sobre ela uma moldura
de ouro ao redor. Fundirás para ela quatro argolas de ouro:
que porás nos quatro cantos inferiores da arca: duas argolas
de um lado e duas argolas de outro. Farás também varais de
madeira de acácia, e os cobrirás de ouro. E enfiarás os
varais nas argolas aos lados da arca, para ser carregada por
meio deles. Os varais ficarão nas argolas da arca, não serão
tirado dela. E colocarás na arca o testemunho que te darei.
A antiga Arca da Aliança
foi preparada com grande esmero e cuidado, usando materiais
virgens seguindo as expressas instruções de Deus. Como vimos
nos capítulos anteriores, o Arca da Aliança é uma
prefiguração de Maria. Deus não tem nenhum motivo para criar
Maria com menos cuidado que àquela, sua representação
profética da Antigüidade. Por isso temos a segurança que a
graça de Deus se manifesta em sua plenitude em Maria, com a
perfeição que o Arca antiga prefigura.
Gênesis 1, 27
— Deus criou
o homem à sua imagem. À imagem de Deus ele os criou, homem e
mulher ele os criou.
Eva, a primeira mulher,
o arquétipo feminino do Antigo Testamento, foi criada sem
pecado original. Assim também foi criada Maria, quem é o
cumprimento completo desse modelo no Novo Testamento como a
nova Eva. Maria tem uma importância muito maior que Eva na
história da salvação e por isso Deus não lhe deu uma forma
inferior àquela primeira mulher. Não é possível que o
cumprimento seja de menor qualidade que sua prefiguração.
Tampouco se pode pensar que a "nova arca" que daria vida
humana ao profetizado Emanuel estivesse manchada pelo pecado
original, sendo que seu modelo, a Arca do Pacto, foi
construída com materiais preciosos e irrepreensíveis.
Lucas 1, 26-28
— No sexto
mês, o ajo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da
Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um
varão chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era
Maria. Entrando onde ela estava, disse-lhe: "Alegra-te,
cheia de graça, o Senhor está contigo"!
O anjo Gabriel elogia
Maria com sua saudação. A palavra grega original que se
traduz ao castelhano como "cheia de graça" e ao latim
como "gratia plena", significa literalmente
"aquela que foi aperfeiçoada em graça". Esta saudação
angélica não tem precedente nas Escrituras. Nunca um anjo
tinha honrado alguém dessa maneira. São Gabriel não teria
usado essas palavras se Maria tivesse estado em um estado
pecaminoso.
Lucas 1, 45-49
— Feliz
aquela que creu, pois o que lhe foi dito da parte do senhor
será cumprido. Maria, então, disse: Minha alma engrandece o
senhor, e meu espírito exulta em meu salvador, por que olhou
para a humilhação de sua serva. Sim! Doravante as gerações
todas me chamarão de bem-aventurada, pois o Todo-poderoso
fez grandes coisas em meu favor. Seu nome é santo.
Maria descreve as
bênçãos que Deus lhe deu em forma especial e pessoal. Não
fala em nome de toda a humanidade ou em nome dos pecadores.
Maria reconhece que Deus tem feito com ela algo singular,
único.
Apocalipse 21, 27
— Nela jamais
entrará algo de imundo, e nem os que praticam abominação e
mentira. Entrarão somente os que estão inscritos no livro da
vida do Cordeiro.
Esta referência de São
João à santidade da Jerusalém celestial é útil para entender
que a vida humana do Jesus não pode ter sido formada dentro
de uma pessoa tocada pelo pecado original. Deus simplesmente
não pode estar em comunhão com o pecado. Essa é justamente a
razão pela qual os pecadores não podem entrar no céu.
Romanos 3, 10-18
— Conforme
está escrito: "Não há homem justo, nem há um sequer, Não
há quem entenda,, não há quem busca a Deus. Todos se
transviaram, todos juntos se corromperam; não há quem faça o
bem, não há um sequer. Sua garganta é um sepulcro aberto,
sua língua profere enganos; há veneno de serpente sobre seus
lábios, sua boca está cheia de maldição e azedume. Seus pés
são velozes para derramar sangue; há destruição e desgraça
em seus caminhos. Desconheceram o caminho da paz, não há
temor de Deus diante de seus olhos.”.
Alguns utilizam uma
parte desta passagem bíblica para tentar provar que todos os
seres humanos pecaram, incluindo Maria. Mas basta uma
leitura detida do contexto para nos dar conta de que isto
não pode ser interpretado universalmente. Primeiro, se esta
escritura é interpretada literalmente, devemos concluir que
Jesus também foi um pecador e isso seria contraditório com o
resto das Escrituras. O que sim sabemos é que São Paulo está
referindo-se aos Salmos 14 e 53. No Salmo 14 encontramos uma
reflexão sobre a insensatez de ignorar a Deus: Diz o
insensato em teu coração:
“Deus não existe”!
Suas ações são corrompidas e abomináveis: ninguém age bem.
Do céu Iahweh se inclina sobre os filhos de Adão, para ver
se há um sensato, alguém que busque a Deus. Estão todos
desviados e obstinados também: não ninguém age bem, não, nem
um sequer. Não sabem todos os malfeitores que devoram meu
povo, como se comessem pão, e não invocam a iahweh? Lá eles
tremerão, pois deus está com a raça dos justos: vós caçoais
da revolta do pobre, mas Iahweh é seu abrigo. Quem trará de
Sião a salvação para Israel? Quando Iahweh reconduzir os
cativos de seu povo, alegria em Jacó e regozijo em Israel.
É óbvio que o apóstolo
não tem em mente ensinar que todo ser humano criado dos
tempos de Adão e Eva foi inteiramente depravado, tal como
ensinaram alguns seguidores da Reforma. O salmista e o
apóstolo estão falando de "insensatos" e "malvados" que
espreitam o povo de Deus. É claro que estas passagens
condenam a certos malfeitores em forma específica por ser
perseguidores dos justos que servem a Deus. É absurdo
imaginar que São Paulo citou este texto com a intenção de
trocar seu significado, distorcendo assim o sentido original
da Escritura.
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