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10. O que significa «Imaculada Conceição»? 

 

IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA

 

A Imaculada Conceição é um termo usado para referir-se ao nascimento de Maria isento do pecado original. Este termo não se encontra na Bíblia, assim como o termo "Trindade" não se acha nas Escrituras. Os fundamentos deste ensino, entretanto, são totalmente bíblicos.

Êxodo 25, 8-16 — Faze-me um santuário, para que eu possa habitar no meio deles. Farás tudo conforme o modelo da Habitação e o modelo de sua mobília que irei te mostrar. Farás um arca de madeira de acácia com dois côvados e meio de comprimento, um côvado e meio de largura e um côvado e meio de altura. Tu a cobrirás de ouro por dentro e por fora, e farás sobre ela uma moldura de ouro ao redor. Fundirás para ela quatro argolas de ouro: que porás nos quatro cantos inferiores da arca: duas argolas de um lado e duas argolas de outro. Farás também varais de madeira de acácia, e os cobrirás de ouro. E enfiarás os varais nas argolas aos lados da arca, para ser carregada por meio deles. Os varais ficarão nas argolas da arca, não serão tirado dela. E colocarás na arca o testemunho que te darei.

A antiga Arca da Aliança foi preparada com grande esmero e cuidado, usando materiais virgens seguindo as expressas instruções de Deus. Como vimos nos capítulos anteriores, o Arca da Aliança é uma prefiguração de Maria. Deus não tem nenhum motivo para criar Maria com menos cuidado que àquela, sua representação profética da Antigüidade. Por isso temos a segurança que a graça de Deus se manifesta em sua plenitude em Maria, com a perfeição que o Arca antiga prefigura.

Gênesis 1, 27 Deus criou o homem à sua imagem. À imagem de Deus ele os criou, homem e mulher ele os criou.

Eva, a primeira mulher, o arquétipo feminino do Antigo Testamento, foi criada sem pecado original. Assim também foi criada Maria, quem é o cumprimento completo desse modelo no Novo Testamento como a nova Eva. Maria tem uma importância muito maior que Eva na história da salvação e por isso Deus não lhe deu uma forma inferior àquela primeira mulher. Não é possível que o cumprimento seja de menor qualidade que sua prefiguração. Tampouco se pode pensar que a "nova arca" que daria vida humana ao profetizado Emanuel estivesse manchada pelo pecado original, sendo que seu modelo, a Arca do Pacto, foi construída com materiais preciosos e irrepreensíveis.

Lucas 1, 26-28 No sexto mês, o ajo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria. Entrando onde ela estava, disse-lhe: "Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo"!

O anjo Gabriel elogia Maria com sua saudação. A palavra grega original que se traduz ao castelhano como "cheia de graça" e ao latim como "gratia plena", significa literalmente "aquela que foi aperfeiçoada em graça". Esta saudação angélica não tem precedente nas Escrituras. Nunca um anjo tinha honrado alguém dessa maneira. São Gabriel não teria usado essas palavras se Maria tivesse estado em um estado pecaminoso.

Lucas 1, 45-49 Feliz aquela que creu, pois o que lhe foi dito da parte do senhor será cumprido. Maria, então, disse: Minha alma engrandece o senhor, e meu espírito exulta em meu salvador, por que olhou para a humilhação de sua serva. Sim! Doravante as gerações todas me chamarão de bem-aventurada, pois o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. Seu nome é santo.

Maria descreve as bênçãos que Deus lhe deu em forma especial e pessoal. Não fala em nome de toda a humanidade ou em nome dos pecadores. Maria reconhece que Deus tem feito com ela algo singular, único.

Apocalipse 21, 27 — Nela jamais entrará algo de imundo, e nem os que praticam abominação e mentira. Entrarão somente os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.

Esta referência de São João à santidade da Jerusalém celestial é útil para entender que a vida humana do Jesus não pode ter sido formada dentro de uma pessoa tocada pelo pecado original. Deus simplesmente não pode estar em comunhão com o pecado. Essa é justamente a razão pela qual os pecadores não podem entrar no céu.

Romanos 3, 10-18 — Conforme está escrito: "Não há homem justo, nem há um sequer, Não há quem entenda,, não há quem busca a Deus. Todos se transviaram, todos juntos se corromperam; não há quem faça o bem, não há um sequer. Sua garganta é um sepulcro aberto, sua língua profere enganos; há veneno de serpente sobre seus lábios, sua boca está cheia de maldição e azedume. Seus pés são velozes para derramar sangue; há destruição e desgraça em seus caminhos. Desconheceram o caminho da paz, não há temor de Deus diante de seus olhos.”.

Alguns utilizam uma parte desta passagem bíblica para tentar provar que todos os seres humanos pecaram, incluindo Maria. Mas basta uma leitura detida do contexto para nos dar conta de que isto não pode ser interpretado universalmente. Primeiro, se esta escritura é interpretada literalmente, devemos concluir que Jesus também foi um pecador e isso seria contraditório com o resto das Escrituras. O que sim sabemos é que São Paulo está referindo-se aos Salmos 14 e 53. No Salmo 14 encontramos uma reflexão sobre a insensatez de ignorar a Deus: Diz o insensato em teu coração:

“Deus não existe”! Suas ações são corrompidas e abomináveis: ninguém age bem. Do céu Iahweh se inclina sobre os filhos de Adão, para ver se há um sensato, alguém que busque a Deus. Estão todos desviados e obstinados também: não ninguém age bem, não, nem um sequer. Não sabem todos os malfeitores que devoram meu povo, como se comessem pão, e não invocam a iahweh? Lá eles tremerão, pois deus está com a raça dos justos: vós caçoais da revolta do pobre, mas Iahweh é seu abrigo. Quem trará de Sião a salvação para Israel? Quando Iahweh reconduzir os cativos de seu povo, alegria em Jacó e regozijo em Israel.

É óbvio que o apóstolo não tem em mente ensinar que todo ser humano criado dos tempos de Adão e Eva foi inteiramente depravado, tal como ensinaram alguns seguidores da Reforma. O salmista e o apóstolo estão falando de "insensatos" e "malvados" que espreitam o povo de Deus. É claro que estas passagens condenam a certos malfeitores em forma específica por ser perseguidores dos justos que servem a Deus. É absurdo imaginar que São Paulo citou este texto com a intenção de trocar seu significado, distorcendo assim o sentido original da Escritura.