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2. O que é o purgatório?

PURGATÓRIO

Em geral, as pessoas acreditam que o purgatório é um lugar, mas em realidade é um processo pelo qual aqueles dentre nós que não alcançaram a santidade perfeita nesta vida, são limpos em preparação para entrada ao céu. O purgatório é um grande dom de Deus, pois as Escrituras nos advertem que se não formos perfeitos, não teremos parte no Reino dos Céus.

Apocalipse 21, 27 Nela jamais entrará algo de imundo, e nem os que praticam abominação e mentira. Entrarão somente os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.

Para aqueles de nós que não formos totalmente perfeitos nesta vida, a doutrina do purgatório nos oferece uma grande esperança. Porque não poderemos entrar na presença de Deus até que tenhamos sido completamente purificados.

1 Coríntios 3, 15 Aquele, porém, cuja obra for queimada perderá a recompensa. Ele mesmo, entretanto, será salvo, mas como que através do fogo.

São Paulo nos explica que uma purificação ocorre naquelas almas que foram salvas.

Hebreus 12, 14 Procurai a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.

Os que morram sem ter obtido essa paz da que fala o apóstolo não devem desencorajar-se. Serão limpos depois da morte. Esta escritura nos mostra que sem santidade não é possível assentir à presença de Deus nos céus.

2 Samuel 12, 13-14 David disse a Natã: "pequei contra Iahweh!". Então Natã disse a Davi: “por sua parte, Iahweh perdoa a tua falta: não morrerás. Mas, por teres ultrajado a Iahweh com o teu procedimento, o filho que tiveste morrerá.” E Natã o deixou.

Mesmo que o pecado de Davi foi perdoado fica um castigo por cumprir: seu filho morre tal como Natã o havia predito.

Hebreus 12, 22-23 — Mas vós vos aproximastes do monte Sião e da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste, e de milhões de anjos, reunidos em festa, e da assembléia dos primogênitos cujos nomes estão inscritos nos céus, e de Deus, o juiz de todos, e dos espíritos dos justos que chegaram à perfeição.

Não há melhor definição da doutrina do purgatório que esta frase bíblica: "espíritos dos justos que chegaram à perfeição”. Os espíritos que acessam ao céu foram purgados de toda imperfeição ou impureza.

Mateus 5, 18-30 — porque em verdade vos digo que, até que passem o céu e a terra não será omitido nem um só i, uma só vírgula da Lei, sem que tudo seja realizado. Aquele, portanto, que violar um só destes menores mandamentos e ensinar aos homens a fazer o mesmo, será chamado o menor no Reino dos Céus. Aquele, porém, que praticar e os ensinar, esse será chamado grande no Reino dos Céus. Com efeito, eu vos asseguro que se a vossa justiça não exceder a dos escribas e a dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus. Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; aquele que matar terá que responder no tribunal. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, terá que responder no tribunal; aquele que chamar seu irmão ‘Cretino!', estará sujeito ao julgamento do Sinédrio; aquele que lhe chamar seu irmão 'Louco' terá de responder na Geena de fogo. Portanto, se estiverdes para trazer a tua oferta ao altar e ali te lembrares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta ali diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; e depois virás apresentar a tua oferta. Assume logo uma atitude conciliadora com o teu adversário, enquanto estás com ele no caminho, para não que o adversário te entregue ao juiz e ao juiz oficial de justiça e, assim, sejas lançado na prisão. Em verdade eu te digo: dali não sairás enquanto não pagares o último centavo. Ouvistes o que foi dito: "Não cometerá adultério". Eu, porém, vos digo: todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso, já cometeu adultério com ela em seu coração. Caso o teu olho direito te leve a pecar, arranca-o e lança-o o longe de ti: pois é preferível que se perca um de seus membros do que todo seu corpo seja lançado na Geena. Caso a tua mão direita te leve a pecar, corta-a y lança-a para longe de ti: pois é preferível que se perca um só de teus membros do que todo seu corpo vá para a Geena.

Aqui encontramos—na boca do mesmo Jesus—o pecado mortal, o pecado venial, o purgatório e o inferno.

Lucas 12, 58-59 Com efeito, enquanto te dirigires com teu adversário em busca do Magistrado, esforça-te por entrar de acordo com ele no caminho, para que ele não te arraste perante o juiz, o juiz te entregue ao executor e o executor te ponha na prisão.Eu te digo, não sairás de lá antes de pagares o último centavo.

Jesus nos explica que todas as contas pendentes devem ser saldadas antes que ocorra a salvação. Este processo de pagamento, aprendizagem e purificação é o que a Igreja chama purgatório.

Apocalipse 7, 13-14 — Um dos anciãos tomou a palavra e disse-me: "Esses que estão trajados com vestes brancas, quem são e de onde vieram?" Eu lhe respondi: "Meu senhor, és tu quem o sabe". Ele então explicou-me: "Esses são os que vêm da grande tribulação: lavaram suas vestes e alvejaram no sangue do Cordeiro.É por isso estão diante do trono de Deus, servindo-o dia e noite em seu templo. Aquele que está sentado no trono estenderá sua tenda sobre eles".

As almas que sobreviveram ao tempo de grande tribulação—ou seja, seu tempo de julgamento na terra—lavam suas túnicas no sangue do Cordeiro e como resultado, lhes permite entrar nos céus. A causa e o efeito são bem claros: "lavaram suas vestimentas" e "por isso estão diante do trono de Deus". A doutrina do purgatório é inequívoca.

1 João 5, 16-17 Se alguém vê seu irmão cometer um  pecado que não conduz à morte, que ele ore e Deus dará a vida a este irmão, se de fato, o pecado cometido não conduz à morte. Existe um pecado que conduz à morte, mas não é a respeito deste que digo que se ore. Toda iniqüidade é pecado, mas há um pecado que não conduz à morte. Aonde vamos quando morremos em pecado, mas não em pecado mortal? O que nos acontece?

Sabemos que não se permite a entrada imediata nos céus.

Marcos 9, 49 Pois serão salgados com fogo.

Nesta passagem, Jesus descreve o purgatório.

1 Pedro 3, 19  ...no qual foi também pregar aos espírito em prisão.

Onde está esta "prisão" da que nos fala São Pedro? Certamente não está no céu. Mas tampouco pode estar no inferno.

Efésios 4, 8-10 Por isso é que se diz: "Tendo subido às alturas, levou cativo o cativeiro, concedeu dons aos homens". Que significa “subiu", senão que ele também desceu às profundezas da terra? O que desceu é também o que subiu acima de todos os céus, a fim de plenificar todas as coisas.

Mateus 12, 32 Se alguém disser uma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado, mas se disser contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro.

Aqui Jesus implica claramente que pode haver uma expiação depois da morte. É aparente que alguns pecados são perdoados no mundo por vir.

2 Macabeus 12, 42-46  ...puseram-se em oração para pedir que o pecado cometido fosse completamente cancelado. E o nobre Judas exortou a multidão a se conservar isenta de pecado, tendo com os próprios olhos visto o que acontecera por causa do pecado dos que haviam tombado. Depois, tendo organizado uma coleta individual, enviou a Jerusalém cerca de duas mil dracmas de prata, a fim de que se oferecesse um sacrifício pelo pecado: agiu assim absolutamente bem e nobremente, com pensamento na ressurreição. De fato, se ele não esperasse que os que haviam sucumbido iriam ressuscitar, seria supérfluo e tolo rezar pelos mortos. Mas, se considerava que uma belíssima recompensa  está reservada para os que adormecem na piedade, então era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis por que ele mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado.

Se os mortos estavam no inferno Judas Macabeus não teria orado por eles, já que ali de nada lhes teria servido sua prece. Se tivessem estado nos céus então não seria necessário orar por eles tampouco.

A crença no purgatório não é, como alguns afirmam, uma inovação medieval, mas justamente o contrário, esta doutrina em realidade se remonta aos tempos apostólicos. Ao redor de 210 d.C. Tertuliano afirma: "[...] se entendermos que a prisão da que fala o Evangelho e se interpretarmos que a "última moedinha de ínfimo valor" (Mateus 5, 25-26) é uma ofensa ligeira que deve ser purgada antes da ressurreição, ninguém duvidará que a alma passa por uma purificação no Hades, sem prejuízo da plenitude de sua ressurreição, depois da qual certa recompensa também terá lugar na carne."  Todos os pecados veniais não são iguais ante Deus. Até a imperfeita justiça humana admite variações de gravidade nas violações da lei. Ante a justiça divina, as faltas ligeiras e as imperfeições da vida diária não serão castigadas com a mesma severidade que se outorga às violações sérias à lei de Deus. Como já vimos, para comparecer ante a presença de Deus, é necessário estar perfeitamente puro. Seus "olhos são demasiados puros para contemplar o mal" (Habacuc, 1, 13). A Igreja sempre ensinou a doutrina do purgatório como meio de satisfação, através de castigo temporário, pelos pecados veniais devidos e não arrependidos ao momento da morte. Esta crença tem raízes tão profundas e antigas que foi aceita pelos judeus e ao menos em forma oculta pelos pagãos muito tempo antes do advento do Cristianismo. Ver "A Eneida" VI, 735 et seq.; Sófocles, "Antigona," 450  et seq.


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